Onde está seu coração?

 

A conexão com nossa ancestralidade se dá de modo inconsciente e por amor. Na grande maioria das vezes não se percebe essa conexão. Ela traz benefícios, quando repetimos padrões que envolvem a alegria, o amor, a prosperidade, enfim, os bons sentimentos e uma vida plena. Mas também traz malefícios, quando os padrões repetidos por nós são aqueles que envolvem o sofrimento. Por exemplo, suicídios, separações, violência doméstica, abusos, entre tantos outros.

Seguimos a ancestralidade por amor, por lealdades invisíveis. Funcionamos como um conjunto de metrômetros, ou mesmo de relógios, que marcam ritmos diferentes, batidas diferentes, ao mesmo tempo. E nos sincronizamos com os eventos traumáticos e também com aqueles os bons acontecidos na família. Daí, quando acontecem repetições dramáticas na vida das pessoas, pergunto: onde ficou seu coração? Com quem ficou seu coração?

Somos diferentes, mas vagorosamente, vamos batendo no mesmo compasso dos que vieram antes. Como uma reação em cadeia; o movimento dos anteriores vai interferindo no dos mais novos, até que todos estejam sincronizados, na mesma ressonância: de ondas, de movimentos, de informações.

Uma historinha:

Era uma vez uma família de agricultores. Um dia, os tataravós se envolveram em uma disputa por terras que acabou gerando uma guerra entre as famílias de vales vizinhos. Muitas foram as baixas, de todos os lados.

A geração seguinte viveu próspera, usufruindo dos frutos daquela guerra. E teve filhos. Esses cresceram e viveram, em função das terras, grandes conflitos. Irmãos em uma disputa cega, com ciúmes, invejas e trapaças. Eram tão grandes os conflitos que uma parte da família precisou migrar para outra localidade, para não ser dizimada. A ameaça, a desconfiança e o medo, tornaram-se os maiores companheiros desta família.

A próxima geração nasceu em outro país, sem a memória de tudo o que havia ocorrido. No entanto, todos nasceram estéreis e encontraram parceiros também estéreis. Mas entre aqueles irmãos, apesar de não mais haver terras, os sentimentos de disputa e de trapaça eram os que prevaleceram.

Uma parte da quarta geração continuava cultivando terras alheias, por não saber fazer outra coisa.

Havia um rapaz, da quinta geração, que tinha os sentimentos mais estranhos, entre todos os que restaram da grande família. Ele tentou se diferenciar, fazendo coisas bem diferentes, tendo inclusive mais sucesso que todos os das últimas gerações. Contudo, sua insatisfação era grande, desde os tempos de menino; e vivia paradoxalmente a história de uma águia e de um coala. Se sentia como águia. Queria voar nas alturas, ser o rei dos céus, empreender com força e coragem, viver o espírito do vitorioso. Mas era sempre surpreendido pela insatisfação, e pelo apego à sua própria árvore, que sequer lhe deixava a possibilidade de olhar para o céu e enxergar mais longe. E toda vez que tentava, tinha visões horripilantes com quedas de grandes alturas; e via o sangue das guerras. Voltava aos movimentos lentos do coala e sentia falta do colo da mãe, que sempre esteve com ele (limitando ou possibilitando?)...

Onde estava o coração daquele homem-coala? Com que metrômetros ele estava em sintonia?

Sem se dar conta, o homem deixara seu coração com os ancestrais. E, apesar de seus potenciais, sonhava com algo que não lhe cabia: ser fazendeiro e “voar” como uma águia.

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Ana Lucia Braga

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