Ordens do Amor

TEXTO ESCRITO PELA ALUNA MARA CÉLIA ROSSIN GRILI DANIEL

Tarefa do Módulo II – Tipos básicos de envolvimentos sistêmicos, do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Sistêmicas, Turma III, de Ana Lucia Braga, em Outubro de 2013.

Ordens do Amor

Conhecer as “ordens do amor” é uma meta essencial para evitarmos muitas crises e enfermidades que vivemos em virtude do desconhecimento das leis naturais que regem os nossos sistemas familiares e sociais.

Segundo Bert Hellinger, quando essas Ordens são desrespeitadas dentro de uma família, uma nova forma de comportamento das pessoas é percebida e se repete em gerações seguintes como um padrão, denominando este fenômeno de “emaranhamento”. Esses padrões podem ser entendidos como doenças, tragédias, brigas, miséria, ou seja, esses padrões acontecem por ter um fluxo de energia alterado desestabilizando a união da família.

Para Hellinger, podemos nos livrar de emaranhamentos se seguirmos as leis que mantêm o equilíbrio do sistema.

Essas leis são:

A Lei da Hierarquia consiste em respeitar o lugar do outro pela ordem de nascimento no seio familiar e nunca excluir os natimortos e abortados, estes que deverão ser lembrados com respeito e assegurados seu lugar na família. A hierarquia não deverá ser mantida somente na família de origem. Podemos citar que em um relacionamento também é preciso respeitar a ordem dos acontecimentos. Se um casal tem um relacionamento com filhos e estes resolvem se separar e constituem outra família e não respeitam a primeira família, estes são fortes candidatos a se emaranharem. A Lei da hierarquia defende que tendo a aceitação respeitosa pela ordem das pessoas nas famílias onde cada uma ocupa o seu papel de direito, cuida de si mesmo, sem interferir no destino do outro contribui para a harmonia da família, diz Hellinger.

Dessa forma é possível que o indivíduo possa ter a sensação de liberdade com os novos parceiros e também deixar seus filhos longe de emaranhamentos com antigos parceiros e com os casamentos anteriores.

A Lei da Hierarquia deve prevalecer também nas instituições organizacionais, sendo a substituição de um membro da empresa por outro recém chegado onde este deverá de forma respeitosa olhar para os funcionários mais velhos mesmo que sua chegada seja sentida de forma negativa, mas nunca se sentir menos em relação aos membros antigos da empresa.

A Lei da Pertinência consiste em incluir todos os membros na família. Todos têm o direito de pertencer igualmente como membro.

A exclusão, seja por qual motivo, um louco, suicida, prostituta, drogado, doente mental, uma moça que engravidou e não foi aceita pela família, e outros, trazem sempre consequências graves.

Segundo a Lei de pertinência, uma criança que nasce na mesma família, uma ou duas gerações após poderá inconscientemente assumir características do excluído, tentando reequilibrar o sistema familiar.

A Lei do Equilíbrio defende a ideia de estabelecer uma relação saudável entre as pessoas em um círculo de trocas positivas. Naturalmente, numa relação entre casais onde um se doa, ou sente desfavorecido perante o parceiro em relação às trocas essenciais de uma relação, inicia-se uma desarmonia e é preciso que se restabeleça a relação com trocas equivalentes a do outro para que se tenha um equilíbrio.

As crianças são leais ao destino de seus pais, não se permitindo serem melhores que eles, assim vão repetindo padrões por Lealdade Sistêmica.

Um exemplo dessa lealdade é a capacidade que o filho tem de prosperar em sua vida e por lealdade aos pais pobres, não se permite a prosperidade, pois os pais não a tiveram de forma bem sucedida.

Como as Constelações Sistêmicas podem ajudar as empresas e os empregados

SOBRE CONSTELAÇÃO ORGANIZACIONAL

Como as Constelações Sistêmicas podem ajudar as empresas e os empregados

Bert Hellinger descobriu que nos relacionamentos humanos existem 3 princípios que atuam de forma subconsciente: ordem (hierarquia), equilíbrio (nas trocas, entre o dar e o receber) e vínculo ( o desejo de pertencer a um grupo). Esses princípios atuam fortemente nas famílias e também em outros grupos, sistemas ou organizações.

Baseado nesses princípios, e no fenômeno descoberto no século passado por Moreno e depois confirmado por Virginia Satir, Hellinger descobriu que podemos obter ricas informações sobre os relacionamentos dentro de um sistema social de relações quando pedimos a pessoas estranhas que representem outras num contexto chamado de “constelação sistêmica”.

Um sistema é um conjunto de elementos que estão interligados entre si numa contínua relação de mudança. Por outras palavras, um sistema é qualquer grupo das pessoas que regularmente trabalha, aprende, se diverte ou se relaciona em conjunto com um objetivo comum.

Um sistema, no sentido organizacional, inclui os donos das empresas, os fundadores, administradores, gestores, funcionários, departamentos, produtos, mercado, clientes, clubes desportivos, hospitais, autarquias, governo, etc.
Sendo assim, as Constelações Organizacionais podem-se aplicar a praticamente todas as áreas dos negócios, carreira, profissão, assuntos individuais, microempresas, empresas familiares, etc.

O interessante desta metodologia é que o cliente fica com uma imagem clara da sua situação atual, da solução possível e do caminho que deve percorrer com vista à solução. Tudo se faz de forma intuitiva e suave, o que faz com que a solução seja totalmente integrada pelo cliente e de aplicação prática em seu ambiente profissional ou empresarial.

A Constelação Organizacional busca trazer a tona padrões e informações implícitas, não percebidas, que podem ser a chave para um funcionamento mais harmonioso com a geração de melhores resultados para o cliente e sua empresa.
Alguns dos temas que comumente são abordados pelos clientes (organizacionais) em uma sessão individual:

Ø  Conflitos profissionais com chefes, colegas, empresas;

Ø  Questões empresariais e administrativas (abertura de empresa; fracasso X sucesso; perda financeira; dificuldades na liderança; mudanças de carreira; recolocação profissional);

Ø  Lidar com o sucesso, fracasso financeiro; o valor do dinheiro e o equilíbrio ou desequilíbrio quanto ao ganhar ou investir – dar e tomar;

Ø  Decisões, escolhas, postura;

Ø  Trabalhar por conta própria ou ser empregado;

Ø  Responder a questões pessoais como “Devo ficar ou devo ir-me embora?”;

Ø  Conflitos, Divergências, Rupturas;

Ø  Clarificar a sua posição na organização;

Ø  Encontrar um bom lugar na empresa;

Ø  Clarificar objetivos; Supervisão;

Ø  Encontrar o equilíbrio entre a vida privada e profissional.

Quando ocorre de um grupo empresarial, sócios ou donos de empresas e organizações buscarem o referencial da constelação familiar, os temas que comumente surgem são:

Ø   Análise de constituição de empresas, abertura de filiais;

Ø   Definição de uma estratégia para uma organização, ou para escolhas e decisões;

Ø   Verificação da coerência da estrutura numa organização;

Ø   Preparo de negociações;

Ø   Integração após fusão ou aquisição de uma organização ou empresa;

Ø   Gestão de projetos e metas;

Ø   Estudo de marcas e produtos;

Ø   Empresas Familiares; Herança;

Ø   A criação ou desenvolvimento no mercado de uma nova empresa;

Ø   Olhar sobre o funcionamento de uma empresa – Análise de estruturas organizacionais (investigação de disfunções e criação/revisão de estruturas mais efetivas);

Ø   Gestão de conflitos nas organizações;

Ø   Analise do processo de decisão em todas a áreas de negócio;

Ø   Ver os efeitos sistémicos “interativos” nos diferentes departamentos de uma empresa;

Ø   Processos de recrutamento e seleção, e desenvolvimento de funcionários (carreira);

Ø   Teste da eficácia de importantes passos ou mudanças numa organização;

Ø   Ferramenta de supervisão para consultores de empresas: focalizando essencialmente no consultor, para que melhor possa lidar com o pedido do cliente.

Princípios básicos que orientam o trabalho nas constelações organizacionais:
1. O direito de vínculo

Nas organizações, todos têm o mesmo direito de fazer parte. Mas esse direito acarreta também a obrigação de prestar uma contribuição condizente com a respectiva posição dentro do sistema no sentido de conservar e renovar a organização. 
A organização cuida de seus funcionários incentivando-os, e os funcionários se mostram leais à organização e comprometidos com as metas desta. Se um dos dois lados lidar levianamente com a vinculação do outro (p. ex. adotando uma mentalidade de receber tudo da empresa) surge uma espécie de hipoteca na organização que onera a relação de confiança dos funcionários e sua dedicação e vice-versa.

2. Dar e receber

Nas organizações existe portanto, uma espécie de contabilidade sobre o que um tem dado ou negado ao outro. Balanços desequilibrados fomentam a insatisfação e sentimentos de culpa exigindo um ajuste. Quem sofreu injustiças ganha poder, e quem costuma dar mais do que receber promove a ruptura das relações. Tanto o assistencialismo exagerado quanto a exploração têm as suas consequências. A troca do dar e receber cria também nesses sistemas, vínculos e obrigações recíprocas entre os funcionários e a organização. Trata-se, no entanto, de um vínculo que é menos forte do que nas famílias. Quanto maiores e impessoais se tornarem as organizações (por exemplo, os grupos multinacionais) e quanto maior for a mobilidade exigida, tanto menos esses processos serão considerados por ambas as partes.

3. Tem preferência quem está mais tempo na empresa

Quando se trata de funcionários do mesmo nível, tem direitos mais antigos aquele que está há mais tempo na empresa. Os que chegaram depois dele deverão respeitar esses direitos. Esse princípio se aplica, sobretudo, aos iniciadores e fundadores da organização. Mesmo que a preferência seja das pessoas hierarquicamente superiores, convém a estas que saibam apreciar a experiência e os méritos daqueles que chegaram antes delas na organização. Do contrário, as novas vassouras varrerão com menos eficiência.
4. A liderança tem prioridade

As organizações têm necessidade de liderança. Mas a liderança precisa ser justificada por meio de resultados e desempenho adequado na respectiva função. Só assim o dirigente passa a ter autoridade e estima em sua posição. Mitos do tipo “Somos todos iguais” só criam insegurança e conflitos de relacionamento.  O responsável pelas finanças da organização que cuida da sobrevivência econômica do sistema tem prioridade sobre os demais dirigentes.
5. É preciso reconhecer o desempenho

Quando alguns funcionários, apesar de posição e remuneração iguais, têm competências ou habilidades especiais que garantem o sucesso e o desenvolvimento da organização, é necessário que se dê a este reconhecimento especial e incentivo pelas contribuições prestadas, para que possam continuar na organização. Nas colocações, esse fato não costuma manifestar-se em posições especiais e sim por meio de observações de reconhecimento da parte de dirigentes (p. ex. “Reconheço o seu empenho e a sua contribuição para o nosso sucesso e fico feliz em poder continuar trabalhando com você.”) Quando alguém se sacrificou pela organização a ponto de perder até a vida por ela, convém manter viva a sua lembrança.

6. Ir embora ou ficar

Em colocações organizacionais também surge frequentemente a pergunta: alguém precisa ir embora ou pode ficar? Pode ficar quem precisa da organização e que corresponde ao posto que ocupa e à função que exerce. Quem não precisa mais da organização pode perder alguma chance interessante se continuar dentro dela. Às vezes é necessário também que alguém vá embora porque prejudicou sistemática ou egoisticamente outros dentro do sistema. Caso ele não vá embora ou não seja mandado embora, surgem lutas, problemas relacionais, desmotivação e perda de confiança. Funcionários excluídos, indevidamente dispensados, expulsos ou não promovidos por motivos não técnicos costumam emperrar ou perturbar o clima da empresa, às vezes são representados e imitados por seus sucessores. Às vezes fica claro que um nível hierárquico se tornou supérfluo ou que existem funcionários demais para o trabalho a ser feito. Nesse caso é possível verificar, por exemplo, que a respectiva equipe encontra a solução criativa, porém improdutiva, de se revezarem em faltas por motivo de doença. Por outro lado, a colocação pode mostrar também que existem postos sobrecarregados de funções. Nos casos de demissão da organização é importante tanto para a organização quanto para o funcionário em questão que o desligamento se realize num clima de compreensão e respeito mútuo, para que a organização continue sem ter problemas e o ex-funcionário chegue bem em seu próximo emprego. Muitas vezes se enfraquece quem volta à organização da qual saiu. Bons rituais de boas-vindas e de despedida facilitam esses processos nas organizações. Nas colocações, esses processos podem ser manifestados, por exemplo,  pelo uso de determinadas frases.

7. Organizações são sistemas voltados para tarefas

Existem muitos grupo de trabalho que perderam de vista grande parte de suas tarefas. Os funcionários começam então a se ocupar consigo próprios, com problemas de relacionamento ou com queixas contra “os de cima” e a situação. Quando o coordenador de um grupo de CO chega a ter essa impressão, é importante confiar a alguém o cuidado com a tarefa, a meta ou os clientes.
8. Fortalecimento ou enfraquecimento?

Na colocação de uma organização fica logo patente se alguém ocupa seu lugar com energia boa e tranquila ou se está enfraquecido. No lugar certo e adequado, a pessoa se sente segura, despreocupada e com boa energia. Por isso é tão importante encontrar esse lugar. Em postos usurpados, as pessoas têm fantasias de grandeza e de portam com arrogância. Em postos que enfraquecem, as pessoas não se sentem valorizadas, não se dão valor, ou falta-lhes apoio. Sensações de fraqueza reveladas por “colocantes” em colocações organizacionais estão frequentemente ligadas a padrões ultrapassados e ao contexto de destinos familiares da origem.

9. O novo e o velho

Novas ideias são aceitas com dificuldade em organizações que não sabem dar valor àquilo que existe atualmente e que geralmente garantiu bons resultados durante longo tempo. É melhor prestar primeiro reconhecimento ao que existe, em vez de atacar logo o antigo para impor as suas próprias ideias e planos. O recém-chegado deve primeiro procurar orientar-se vendo aquilo que é válido dentro do sistema e inserindo-se nele. O mesmo vale também para grupos de projeto. Mas não é necessário mostrar a todo momento o quanto se estima o antigo. Trata-se sobretudo de uma atitude interior.

As Constelações Organizacionais são caracterizadas pela sua alta eficiência e efetividade. Com a concentração no essencial elas logo geram resultados e, portanto, são econômicas. Representam um novo método inovador no desenvolvimento organizacional e contribuem significativamente para a melhoria do gerenciamento e da cultura na empresa.

Portanto, este trabalho é aplicado em processos que envolvam dinâmicas individuais ou grupais, onde são construídos mapas que trazem a tona o conhecimento tácito, o fenômeno.

A partir destes mapas é possível encontrar soluções e definir próximos passos para criar uma nova realidade mais adequada e produtiva dentro das organizações.

Este texto teve por base vários textos sobre Constelação Organizacional, de onde foram extraídas ideias e partes dos mesmos.

Bibliografia:

Ø  Blumenstein. Consultoria Organizacional. http://www.talentmanager.pt/download/BlumensteinPT.pdf

Ø  Cecilio Fernández Regojo. SYSTEMIC MANAGEMENT CONSTELAÇÕES ORGANIZACIONAIS.

Ø  Gunthard Weber & Brigitte Gross. CONSTELAÇÕES ORGANIZACIONAIS.

Ø  Jan Jacob Stam. Trazendo à luz as raízes das organizações

Tarefa da aluna Fábia Cristina Silva, do Módulo de Constelação Organizacional, da II Turma do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Sistêmicas, da consteladora Ana Lucia Braga, em Abril de 2012.

Fenomenologia e Constelação Sistêmica

FENOMENOLOGIA E CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS

Fenomenologia é uma postura, uma visão de mundo do aqui e agora, do relativo, complexo e transitório.

Trata-se de compreender a verdade como um fenômeno mutável, transitório e relativo. Paradigma totalmente contrário ao que vivemos e a mente que temos – linear e simplista.

De fato, nossa mente foi treinada para generalizar – e desconsiderar a nossa mente que mente é um ato difícil que exige muito treino para desaprender.

Ao contrário para mente que quer generalizar, o paradigma fenomenológico quer reduzir para encontrar a verdade. Esta, por sua vez, só é encontrada longe de aparências e de ilusões.

Renunciar o saber, a curiosidade, as ambições para encontrar a verdade são outros exercícios difíceis que também exigem muito treino.

Um dos melhores treinamentos é a meditação, o centramento. De fato, depois da noite escura (alma) vem a claridade (consciência).

Quando estamos centrados e entregues a noite escura na nossa alma, conseguimos mais facilmente contemplar o fato sem julgar e focar na essência e no fato daquele momento.

Esse olhar fenomenológico é o olhar da Constelação Sistêmica que enxerga sistemas vivos complexos, relativos e transitórios, assim como cada indivíduo e suas relações.

TEXTO ESCRITO PELA ALUNA MÔNICA SANTOS, como Tarefa do Módulo I – Fenomenologia e Constelação Sistêmica, do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Sistêmicas, de Ana Lucia Braga, em Agosto de 2013.

 

As Ordens Sistêmicas

TEXTO ESCRITO PELA ALUNA CLÁUDIA VIOTTI CAMPOS

Tarefa do Módulo II – Tipos básicos de envolvimentos sistêmicos, do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Sistêmicas, de Ana Lucia Braga, em Outubro de 2013.

As Ordens Sistêmicas 

 Um sistema é um conjunto de elementos interconectados de modo a formar um todo organizado. Vindo do grego, o termo “sistema” significa “combinar”, “ajustar”, formar um conjunto.

A constelação sistêmica é uma abordagem terapêutica onde acontecem fenômenos no campo e tem como enfoque dificuldades, bloqueios, padrões comportamentais que trazem sofrimento e que são desenvolvidos pelas pessoas ao longo do tempo (emaranhamentos). O sistema familiar é muito forte em função dos vínculos profundos e estes são regidos pela consciência grupal, ou seja, uma consciência muito mais ampla do que a consciência individual. O trabalho das constelações possibilita que o sujeito tenha uma percepção de seus emaranhamentos sistêmicos que normalmente envolvem aspectos ou fatos da vida familiar ou da história da família, fatos estes que causaram desordem, impactos e desequilíbrios.

Estou dando uma breve introdução para falar sobre as ordens ou forças sistêmicas que atuam nos sistemas. São elas:
a pertinência, o equilíbrio e a hierarquia.
Vou explicar cada uma delas de modo sucinto:
Pertinência é uma lei que tem uma relação direta com a exclusão de qualquer membro do sistema familiar e em qualquer época. Esta exclusão pode vir afetar os outros membros porque todos têm o direito de pertencer; se alguém não pertence, essa exclusão causa sofrimento e emaranhamento. É preciso, então, que haja uma reintegração deste membro para que o fluxo amoroso do sistema possa seguir.

A hierarquia é uma outra força sistêmica, onde se pode ressaltar que o todo é mais importante do que a soma das partes. Isso quer dizer que cada um tem o seu lugar, sendo que sempre os mais “velhos” vêm primeiro e depois os mais novos. É preciso que esta ordem seja respeitada, pois esta lei pode causar muita confusão e gerar grande sofrimento trazendo, mais uma vez, o desequilíbrio.

A terceira ordem sistêmica é o equilíbrio; aqui há uma necessidade de compensação, ou seja, de ganhos e perdas, dar e receber. Atua como as outras forças, consciente ou inconscientemente. Esta lei é quase matemática, porque envolve a troca, e isto é em qualquer relação: amorosa, financeira, profissional. O equilíbrio saudável é aquele onde recebo e dou algo também, nem sempre na mesma medida, mas com uma certa harmonia para que não caia no desequilíbrio. Deve haver uma aceitação de ambas as partes para que seja bom para os dois ou mais pessoas. Ou seja, todos precisam se sentir confortáveis,  porque a tendência é surgir sentimentos de raiva, culpa e injustiça.

Acho muito legal pensar nestas três leis da Ordem Sistêmica relacionando à fisiologia do corpo humano, pois nossos órgãos formam, juntos, um sistema. E essas três Ordens regem também o organismo, que é nosso corpo total. Elas agem sobre o que chamamos de doenças. Há os desequilíbrios metabólicos e vários outros acontecimentos que podem afetar no nosso dia a dia, pensando no corpo como sistema.

Tipos básicos de envolvimentos sistêmicos

Texto escrito pelo aluno Tales Rossi, como tarefa de casa do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Familiares e Organizacionais, de Ana Lucia Braga, em novembro de 2013.

 

Todos nós temos uma consciência pessoal, a qual percebemos como “leve” ou “pesada”. Sentimos essa consciência avaliar nossos atos. Muitos julgam inclusive ser essa consciência o juiz do “certo” e do “errado”, “bom e mau”, através dessa diferenciação reconhece o pertencer só de alguns e exclui outros.

Nossa consciência pessoal nada tem a ver diretamente com o certo ou o errado. Ela se guia por outros princípios, que podem ou não estar ligados ao que é denominado de moralmente “certo” ou “errado”.

Através da percepção desses princípios, Hellinger nos mostrou que existe muito mais sobre a natureza de nossos relacionamentos, lingando-se esses relacionamentos pessoais ao que acontece na família e também aos demais grupos aos quais cada ser humano está ligado. Observando a forma como cada um se sentia, muitas vezes inocente, (ou de consciência “leve”) mesmo cometendo atos agressivos, violentos e que prejudicavam a si e a outros, ele percebeu comportamentos que pareciam estar ligados à três princípios.

Segundo Hellinger parece que a consciência pessoal se liga a três princípios:

• Um princípio vinculador, que estabelece o pertencimento ao grupo;

• Um princípio de equilíbrio nas trocas, entre o dar e o receber;

• Um princípio de ordem ou hierarquia dentro do grupo.

 

Nos sistemas familiares, quando alguém faz algo que ameaça seu pertencimento ao grupo sente imediatamente a consciência “pesada”. Por exemplo, se alguém se depara com o fato de estar saudável, mas todos os membros de seu grupo familiar estiverem muito doentes, vai se sentir “culpado”. Ou um membro de uma família de criminosos, sente-se “culpado” se não comete ele também algum delito. Estranho? Especialmente estranho, porque nesses casos, essas pessoas se sentiriam “inocentes” – ou de consciência leve – fazendo coisas que no primeiro caso (adoecer junto com os demais membros da família) seria uma coisa “ruim” e no segundo (não cometer nenhum delito) seria uma coisa “boa”.

Seguindo os dois princípios seguintes, podemos perceber que quando recebemos algo bom, sentimos uma pressão interna para retribuir, o que é na verdade uma forma de consciência pesada, percebida como dívida. No caso da ordem, se temos que agir de forma a repreender alguém que está acima de nós na hierarquia, percebemos isso como algo que nos deixa “de saia justa” – por outro lado, se o fazemos com um subordinado, isso não nos pesa tanto.

Mas Hellinger ainda percebeu outro fato surpreendente e que na maior parte do tempo nos escapa da percepção. Ele percebeu a existência de uma consciência grupal comum que atua tendo em seu campo de visão a família e o grupo como um todo, está a serviço da totalidade desse grupo e das ordens que asseguram a sua sobrevivência da melhor forma possível.

Esse grupo é guiado por essa consciência de forma que só podemos perceber a existência dela através de seus efeitos. Nós não a percebemos como “leve” ou “pesada” da mesma forma como percebemos a consciência pessoal. Essa consciência grupal também se guia pelos mesmos princípios anteriormente citados, mas de forma diferente.

Por exemplo:

• Em relação ao vínculo, a consciência grupal não permite que qualquer membro do grupo seja esquecido, expulso ou excluído sem exigir uma compensação. Caso ocorra, frequentemente ela vai exigir que um descendente que vem mais tarde repita o destino do excluído ou aja de forma similar a ele (sem o saber).

• Em relação ao equilíbrio, essa consciência exige uma compensação adequada para o que foi dado e recebido. Se alguém recebe demais e não equilibra isso, então um descendente tem a propensão de fazê-lo em seu lugar.

• Em relação à ordem, essa consciência não admite a interferência dos pequenos nos assuntos dos maiores, sob pena de os primeiros se sentirem (sem perceber) tentados a expiar sua interferência através do fracasso, da doença e de destinos difíceis.

Fica, então, muitas vezes claro que alguém, agindo de “boa consciência”, frequentemente por amor, infringe as regras da consciência de grupo, chamada por Hellinger de consciência arcaica. Ao fazê-lo podem aparecer os efeitos desastrosos, seja para si, ou mais frequentemente para seus descendentes. Hellinger denominou esses princípios de “Ordens do Amor”. Pois eles atuam através do amor profundo entre descendentes e antepassados.

Suas percepções abriram também as portas para aquilo que, muitas vezes, permite a solução entre tais desordens, através de um amor mais amplo, consciente, que ultrapassa os limites restritos da consciência pessoal.
É nesse âmbito que se desenvolvem as constelações familiares, buscando restaurar a harmonia entre as ordens do amor dentro de cada grupo familiar. Isso torna compreensível o comportamento de cada membro do grupo familiar.

 

 

FILHOS COM DIFICULDADES X PAIS EDUCADORES

Os pais, de um modo geral,  têm reclamado muito das dificuldades que enfrentam em seu dia a dia na educação dos filhos.  Isso tanto em casa como com relação à escola.   Os filhos de hoje são muito diferentes dos filhos de antigamente: não querem fazer as tarefas, não lêem, não gostam de estudar. São mais espertos, mais independentes, mas não obedecem, são rebeldes; por vezes mais autoritários, agressivos. Fazem oposições e questionam cada vez mais as atitudes dos pais. E os pais, não sabem o que fazer com isso.  Porque também mudaram. Já não sabem exatamente em que momentos pôr limites, quais os mais adequados para se elogiar. Se põem de castigo; se ignoram, fingindo não ver certas más ações dos filhos; se batem; se deixam o filho escolher, participar da casa como gente grande; ou se, autoritários, determinam rigidamente todas as regras, fazem as escolhas para os filhos.

Muitos pais transferem para a escola a responsabilidade de educar.  Isso se dá pela falta de tempo, pela insegurança, pela desinformação.  E além da escola, se utilizam das atividades extra-escolares, também necessárias mas que devem ser usadas com cuidado, como por exemplo a natação, o inglês, o balé, etc, talvez para também não permanecerem com os filhos, transferindo sua responsabilidade de educadores.  Há, sem dúvida, todo o esforço de levar e de pagar as atividades dos filhos, mas, em geral, a falta de contato prevalece. E, quando o filho tem dificuldades de aprender estas atividades “extras”, ou, o que é pior, não vai bem na escola, o grande problema está instalado… Fica evidente não só a ineficiência da escola, dos professores, como a dos pais. Estes, de um modo geral, enfrentam as batalhas da educação dos filhos como mais uma tarefa de seu dia a dia e não se perguntam por quê educo, para quê educo e como educo.

Educar implica batalhas. Significa conduzir, puxar para fora aquilo / aquele que ainda está dentro.  Conduzir é levar. Contudo, há que pensar em para que e como se educar.  A consciência sobre esse porquê faz muita diferença.  Ter objetivos claros, que clareiem e definam para o filho o que se pretende com ele e para ele, ter a consciência e a vontade explícitas, com firmeza, e admitindo a possibilidade real de reformulação constante desses objetivos, reformuláveis pela sua própria natureza.  E também ter claro o que é Não – Educar:  Educar abrindo mão da autoridade de pais é não educar.  Ter medo de enfrentar o filho em suas raivas, em suas dores pela limitação externa, efetivada pelos pais e pela própria vida, não é educar.  Deixar que os filhos decidam sozinhos sobre suas vidas e seus afazeres é fugir das responsabilidades de pais, de educadores, portanto, também é não educar.  E essas atitudes são reflexo da falta de consciência quanto ao que é e como se deve educar um filho.  Consciência e vontade são fundamentais.  Consciência gera metas. Vontade gera decisões. Na vida, uma precede a outra.  E para que ambas aconteçam no presente, é preciso recorrer ao passado.

Em geral, educamos para a informação, para a ascensão  social, ou apenas porque assim fomos educados… Fazemos hoje coisas que fizeram conosco no passado. Podemos dar ao filho o que tivemos como filhos… É a lei da vida… Mas é preciso que se possa transcender essas possibilidades, essa “lei”, para que o filho possa receber mais, para que seja possível pensar a educação como uma tarefa realizada no presente, que tem a ver com o passado, mas que – de fato – é realizada com os olhos vislumbrando o futuro. E é preciso se encarar de frente as dificuldades que se têm enquanto pais, olhar para elas inclusive como dificuldades que possam ter surgido no passado, lá, naquele tempo em que só se era filho.

Educar, portanto, deve envolver a consciência de si, de seus corpos, de seus desejos e necessidades, assim como os da humanidade. É perceber, é entrar em contato com o que está fora e com o que está dentro do ser (do filho e dos pais). É saber o que se quer, onde se pretende chegar, onde se deve chegar, e que tudo isso é provisório, é por um tempo, não é “para sempre”(porque nada o é). Esta educação passa pelos níveis físico, vital, mental e espiritual. E o educador precisa aceitar que ele só consegue educar se for ele também educado.

Muitos “enroscos” têm sua origem no passado dos pais. E, se eles se colocam no presente, é no aqui e agora que os pais precisam atuar. Questionarem-se sobre o COMO estou educando, se educo para a  auto confiança e a auto-estima de meu filho, com clareza mental, para a criatividade, o equilíbrio, a harmonia, a serenidade, a flexibilidade, a responsabilidade, a consciência e a espontaneidade. Essas são questões do presente.

A criação de hábitos regulares, por exemplo, é importante para qualquer ser humano, assim como os cuidados diários, junto com a consciência do corpo físico, e o que ocorre nele, se auto-observando, entrando em contato com seus sentimentos, até chegar à autonomia. E para os pais: como conseguir olhar se não foram olhados? Como conseguir tocar, sem ter sido tocados? Como dar o exemplo, sem ter vivenciado a experiência, o processo que se deseja que o filho experimente? Como ensinar o filho a ser ativo, a estudar, a se perceber como parte da natureza, como parte da humanidade, se os pais não cuidam de si, não têm consciência de si mesmos, não percebem e muitas vezes até negam o seu processo de auto-educação? Como os pais cuidam de seus corpos, para darem o modelo e exigirem corpos bem cuidados, com uma boa higiene, com respeito,  com a consciência de seu funcionamento, do prazer que  vem deles? E dos corpos emocional e espiritual?  Como os pais lidam com esses seus corpos? Qual é a atenção que eles dão à sua emoção e à sua espiritualidade?

Como “dicas” para os Pais-Educadores, vai o seguinte: Questione-se. Você precisa auto-educar-se.  Pergunte sempre se você teve o que você está dando para seu filho e como foi isso para você.  Questione se você tem realmente claros os objetivos, as metas com relação a educação de seu filho e se o caminho que você escolheu para realizá-los é o melhor.  E não tenha vergonha em pedir ajuda.  Há profissionais preparados para acolhê-lo e auxiliá-lo nesta difícil e grandiosa tarefa de Educar.

Ana Lucia Braga

(Resgatando) Texto escrito em 1998, publicado no Tablóide da ABB de Ribeirão Preto

 

O que esperar de 2014. Depende de você: faça diferente

2014, ano de número 7, somados seus dígitos. Número importante, presente na filosofia, nas artes, na religião. É um número sagrado, mágico, poderoso. É o número da transformação e do descanso (lembra? Deus descansou no sétimo dia).

Esse novo ano, que se inicia, favorece as mudanças, a transformação, a meditação. E é, segundo alguns, regido por Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar; o Pai, portanto. Aquele que forma moralmente, que ensina a ética, que daria, em tese, o suporte existencial. Mas é também o juiz, às vezes exagerado, cego, supersticioso e com problemas de autoconfiança.

Inspirados em Júpiter, podemos acreditar na diplomacia e na boa vontade, na esperança e na sorte, apesar de ser, 2014, um ano em que nossa economia estará – ainda – desaquecida, com pressões inflacionárias, sem credibilidade. Além disso, temos nossa política profundamente desgastada.

Pois é… Pensando em 2014, podemos nos deparar com algumas questões: PIB abaixo de 3%: isso é bom, ruim ou indiferente? Consumiremos mais ou menos? Produtividade em baixa? E a violência? E a saúde? E a miséria?

E, pensamos, ainda: ano de Copa do Mundo e Eleições Gerais.

Como brasileiros, não nos iludimos com expectativas de mudanças no “modo macro”. Nem antes das eleições de novembro, nem após as mesmas; esse tipo de mudança já não cabe nem na nossa mais remota capacidade imaginativa.

Quanto à Copa…

No entanto, enquanto pessoas, sujeitos individuais, podemos olhar para nossa existência, para aquilo que é necessário mudar em nossa vida; aquilo que nos incomoda, que nos perturba, que não nos é indiferente. Mas, podemos mesmo olhar para nossa baixa produtividade pessoal? Para nossa violência? Para nossa saúde? Para nossa miséria?

É necessário olhar, sonhar e até planejar as mudanças que desejamos em nossa vida. Porém, não nos iludamos: mudar é muito difícil. Especialmente porque existem nossas crenças, nossos padrões e nossos mapas de família, que nos impelem às repetições do sofrimento.

No entanto, se o desejo da mudança for sincero, então existe a possibilidade.

Imagine (se realmente deseja mudar) um ancestral possibilitador, conhecido ou não, que traz ajuda em todos os seus momentos de 2014, especialmente quando você decidir mudar, fazer diferente. Peça a bênção a esse ancestral para que você possa fazer diferente. Diferente de sua família, diferente de você próprio, até hoje. E sonhe. Sonhe para conquistar os objetivos. E planeje as mudanças. Especialmente as de atitudes. Liste tudo e sonhe. Planeje, visualize. Em todas as áreas da roda da vida: família, relacionamentos, amizades, profissão, finanças, saúde, espiritualidade. Planeje novas experiências, e lembre, você faz parte de um sistema. Respeite as Leis do Amor, tão trabalhadas nas Constelações Familiares, que são: Hierarquia, Equilíbrio e Pertinência. Respeite as diferenças e as limitações. E, então, abuse do 7. Transforme, descanse. E seja feliz nesse ano novo.

Forte abraço.

Ana Lucia Braga

LEIS DO AMOR

“ Muita gente julga que o amor tem o poder de superar tudo, que é preciso apenas amar bastante e tudo ficará bem. (…) para que o amor dê certo, é preciso que exista alguma  outra coisa ao lado dele. É necessário que haja o conhecimento e o reconhecimento de uma ordem oculta do amor.” Bert Hellinger

Hellinger descobriu, ao longo de seu trabalho, uma série de leis ocultas que atuam sobre as pessoas, famílias e grupos. Essas leis, que chamou de leis do amor, são forças dinâmicas e articuladas que atuam sobre nossas vidas sem que o percebamos. Quando ignoradas, causam grandes desordens, conflitos, doenças e dores. Em contrapartida, quando respeitadas percebemos seu fluxo harmonioso como uma sensação de estar bem no mundo.

A primeira lei se refere à pertinência: Todos têm o igual direito de pertencer.

A segunda lei se refere ao equilíbrio entre dar e receber.

A terceira lei diz que há uma hierarquia de tempo: os mais antigos vêm primeiro e os mais novos vêm depois.

Para Bert, todo grupo funciona como um organismo vivo que se autorregula para permitir que sobreviva ao longo do tempo. E foi trabalhando e observando questões simples e essenciais do relacionamento familiar, que tocavam de forma sutil a alma da  família, como a dor, a vida, a morte, o amor e as separações e seus resultados que ele formulou as leis ou ordens do amor, utilizando, para tal, o método fenomenológico.

 

1° Lei: TODOS TÊM O IGUAL DIREITO DE PERTENCER.

Essa lei diz que não importa o que uma pessoa faça de “condenável”, “pecaminoso”, “reprovável” ou “errado” ela continua tendo o direito de pertencer ao sistema familiar.

Suas atitudes não o isentam de repreensões, de restrições, de punições legais e podem até diminuir sua confiabilidade e proximidade, mas isso não tira seu direito de pertencer ao sistema familiar.

Quando algum membro da família é excluído acaba por se criar um efeito colateral onde os mesmos comportamentos reprováveis acabam por reaparecer em alguns membros das gerações seguintes (filhos, netos ou bisnetos) ou como um problema entre irmãos ou casal.

Essa lei também é válida para  filhos que não foram reconhecidos e pessoas que foram prejudicadas em favor de alguém da família. Por exemplo, em separações onde a felicidade de alguém foi fruto da infelicidade de outro.

Quando esses membros da família são reconhecidos, pode haver a reconciliação pacífica entre todos, mas isso requer grande coragem, pois exige que os membros da família superem seus julgamentos morais em favor da reinclusão daquele membro excluído e que se dê um lugar a ele em seus corações.

Assim todos podem sentir a paz que foi interrompida pelos acontecimentos dolorosos do passado, e para o membro que carregava a sensação de não ser aceito acaba e a felicidade se torna possível.

 

2° Lei: O EQUILÍBRIO ENTRE O DAR E RECEBER

Bert percebeu que nas famílias existe uma ordem natural do dar e receber entre pais e filhos e nos casais.

A ordem natural vem do mais antigo para o mais jovem. Os pais dão e os filhos recebem. Os pais dão a vida e os filhos a tomam. Os pais dão amor e os filhos o tomam em seu coração. Aqui dá se um grande aprendizado: os filhos precisam dos pais, mas os pais não precisam dos filhos.

Quando essa ordem é invertida os problemas começam. Muitos pais, voltados para seus problemas íntimos, acabam por sobrecarregarem seus filhos que na tentativa de trazê-los para o aqui e agora e fazê-los felizes, em sua inocência, inconscientemente, dizem: “eu vou no seu lugar” ou “eu sofro por você”, e acabam ficando doentes para que os pais se unam e sejam felizes.

Esse amor é cego e além de não solucionar o problema acaba por agravar a situação, pois os pais acabam por abandonarem seus relacionamentos para nutrir as necessidades dos filhos e, embora inconscientemente, eles acabam pagando com um sentimento de expiação e toda expiação é sem sentido e não traz crescimento, pois nenhum mal se paga com sofrimento.

No momento que os pais percebem que a criança passou a ter mais importância na família, é hora de reassumirem o papel de pais e deixarem seus filhos livres para que sigam suas vidas.

A melhor forma de os filhos retribuírem o amor que receberam dos pais é passando adiante para as próximas gerações.

Entre o casal, há desequilíbrio quando um dos parceiros se sente superior ao outro e prefere dar todo o seu amor ao parceiro e sem perceber se recusam a receber. Com o tempo o parceiro vai se infantilizando e se torna dependente, perdendo assim o interesse e acaba por buscar novas distrações e vícios para preencher o vazio que sente ou acaba por adoecer pela impossibilidade de retribuir o muito que recebeu.

Os que muito recebem podem agir de 3 formas:

A primeira é ser grato pelo muito que recebeu, a segunda é tentar diminuir e atacar a pessoa que deu muito para que ela se sinta tão inferior quanto ele. E a terceira, é deixar a pessoa que muito deu, seja traindo ou abandonando a relação.

Portanto, para que o amor dê certo é fundamental que o equilíbrio entre dar e receber seja respeitado.

 

3° Lei: HÁ UMA HIERARQUIA  DE TEMPO: OS MAIS ANTIGOS VÊM PRIMEIRO E OS MAIS NOVOS VÊM DEPOIS.

A hierarquia diz que quem vem primeiro tem prioridade sobre quem vem depois, assim os pais tem prioridades sobre os filhos. Os pais são grandes e os filhos pequenos, assim os pais dão e os filhos recebem.

Quando essa ordem fica invertida e os filhos se sentem maiores que os pais, a alma do filho sente um desconforto que se manifesta em forma de sofrimento autoimposto,  essa arrogância  acaba por trazer à vida dos filhos muitos fracassos, doenças e destinos difíceis.

Os filhos devem receber o amor dos pais da forma como lhe é dado, e ser gratos.

Quando os filhos reivindicam dos pais além do que eles dão, cria-se uma desordem na hierarquia, deixando-os amargos e duros consigo mesmo.

Entre os relacionamentos também existe uma ordem, só que diferente.

Quando o filho arruma uma esposa, a família atual passa a ter preferência sobre a família do pai e mãe.

Os conflitos acontecem  quando um dos parceiros fica preso à família anterior e não se entrega plenamente ao parceiro. Nesse caso a solução é reconhecer a grandeza dos pais, mas honrar a escolha amorosa atual.

Quando há um segundo casamento, o atual tem prioridade sobre o anterior, mas se houver filhos do primeiro casamento, esses têm prioridades sobre o segundo casamento e há a necessidade que a mãe dos filhos seja reconhecida como a primeira mulher e mãe dos filhos do marido.

A arrogância dos filhos em exigir mais do que receberam dos pais causa muita dor, mas quando se consegue reconhecer a grandeza da vida e perceber que isso é o bastante, a ordem se restabelece no sistema familiar e o amor volta a fluir.

Quando respeitadas essas três leis, a vida segue em harmonia, equilíbrio e sucesso.

 

Este texto é uma síntese das Leis Sistêmicas, produzido como tarefa de casa do Módulo I, Introdução às Constelações Sistêmicas Familiares e Organizacionais, do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Sistêmicas, da professora Ana Lucia Braga

escrito pela aluna Ana Paula Brolezi David.