TEXTO TAREFA DE CASA DA ALUNA DO CURSO DE FORMAÇÃO EM CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS NILSA TEREZINHA

TEXTO DA ALUNO NILSA TEREZINHA, III TURMA DO CURSO DE FORMAÇÃO EM CONSTELAÇÕES FAMILIARES E ORGANIZACIONAIS DE ANA LUCIA BRAGA, TAREFA DE CASA DO MÓDULO I, AGOSTO DE2013

“AS ORDENS SISTÊMICAS”

As constelações familiares e organizacionais são orientadas por três leis sistêmicas chamadas de “Ordens do Amor”, que exercem papel fundamental no equilíbrio e manutenção do sistema familiar e quando são respeitadas e aplicadas cessa a responsabilidade por injustiças cometidas no grupo familiar. São elas:

1-HIERARQUIA

Diz respeito a quem chegou primeiro na família, portanto os mais velhos merecem ser olhados com muito respeito e cuidado, pois foi através deles que a família veio se mantendo. Muitas vezes, os filhos no intuito de ajudar querem que os pais se mudem, não respeitando todo o referencial de vida que já possuem em determinado local (casa, utensílios, vizinhos, crenças, mapas de família, cultura, etc.). Isso traz consequências negativas como doenças, problemas financeiros e afetivos para os próprios filhos.

No caso de separação do casal e se unirem a outra pessoa, os novos companheiros entram para a família como segundos ou na ordem de chegada, sendo que não existe “ex-marido” ou mulher mas o primeiro, segundo e assim por diante, assim como os filhos, os casais devem sempre ter respeito com quem veio primeiro, enfim sempre respeitar  a ordem.

Em uma empresa devemos sempre olhar com respeito para o seu fundador, a chegada de um novo funcionário e o seu desempenho ficarão mais harmônicos se olharem com respeito e reconhecimento  para quem já estava lá, isso trará mais força na vida e mais sucesso.

2-PERTENCIMENTO

Sendo um sentimento natural, pertencer é uma necessidade de qualquer ser humano. No sistema familiar todos tem o direito de pertencer, ninguém pode ser excluído; todos são importantes para o sistema, sendo causa de desequilíbrio no mesmo quando acontece a exclusão.

Filhos rejeitados ou não incluídos, como no caso de abortos provocados ou espontâneos, precisam ser incluídos no número total de filhos.

Em caso de separação, também não se deve excluir ou falar com desrespeito sobre o parceiro anterior.

Em todos os casos em que há exclusão no sistema alguém poderá representar essa pessoa excluída de alguma forma, manifestando algum tipo de sintoma ou comportamento, isso acontece com a finalidade de reparar uma injustiça ou falta e assim restabelecer o equilíbrio sistêmico.

Nas empresas também quando alguém não foi devidamente reconhecido ou sofreu injustiça e quando numa sociedade um sócio prejudicou o outro, pode gerar consequências danosas, como: desarmonia no clima organizacional, dificuldade para contratar um novo profissional, queda na produção, evasão de clientes e até prejuízos financeiros ou algum familiar das pessoas envolvidas poderá apresentar algum sintoma, sofrendo as consequências no lugar da pessoa que prejudicou ou vivendo como a pessoa prejudicada ou ainda seguindo seu destino.

3-EQUILÍBRIO ENTRE O DAR E RECEBER

É algo de fundamental importância para o funcionamento e manutenção dos sistemas de uma forma geral, entre casais cuja dinâmica compromete a lei do dar e receber, um dá mais ao outro do que ele ou ela possam retribuir, prejudicando assim, o equilíbrio de troca. Nesse caso, quem deu mais se sente no direito de cobrar e quem recebeu demais, sente-se na dívida e tem dificuldade de permanecer na relação. Isso diz respeito a tudo que se possa dar ou receber: carinho, cuidado, dinheiro, atenção, compreensão, tempo, proteção, tolerância etc…

Quem se doa demais também é responsável por sua atitude, pois acaba desrespeitando o outro na sua dignidade.

Somente na relação de pais para filhos esse desequilíbrio não se verifica, pois os pais sempre terão dado mais aos filhos do que recebido deles, começando pelo dom da vida.

Ter gratidão por isso e reconhecer que recebemos o dom da vida por intermédio dos nossos pais e antes pelos pais deles e assim sucessivamente independente de como fizeram ou deixaram de fazer, é fundamental. Portanto, reconhecimento e gratidão são as únicas retribuições que os pais desejam.

CURSO CONSTELAÇÕES COM CRIANÇAS

CURSO TEÓRICO VIVENCIAL: CONSTELAÇÕES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

PARA CONSTELADORES, EDUCADORES E PAIS

LOCAL: Sitio das Acácias – Santa Cruz da Esperança – SP (Próximo a Cajuru e Ribeirão Preto)

QUANDO:  Agosto de 2014, dias 02 e 03, sábado e domingo – duração de 14 horas

O QUE É: Constelação com Crianças e Adolescentes é um trabalho novo, que envolve a intervenção terapêutica Constelação Familiar com a própria criança e/ou adolescente.

É um trabalho possibilitador, pois põe a própria criança em contato com seus sofrimentos, emaranhamentos e com as leis sistêmicas, tendo esta a oportunidade de vivenciar, em grupo, processos terapêuticos que atuam profundamente na alma, de forma “quase lúdica”. É através dos representantes, das “brincadeiras”, do aprendizado das Leis Sistêmicas ou Ordens do Amor, através das reflexões sobre seus sofrimentos e comportamentos dentro da família, com os amigos, na escola, que este trabalho vai se desenvolvendo.

O Curso Teórico Vivencial de Constelações de Crianças e Adolescentes se propõe a compartilhar esses  conhecimentos e experiências com consteladores, educadores e pais, olhando realidade educativa (em casa e na escola) como um todo vinculado aos sistemas familiares, sociais, culturais e históricos, e como eles influenciam, repercutem e estão na base do processo ensino-aprendizagem, nas relações com as pessoas, nas relações familiares.

OBJETIVOS: De modo prático, inclusive com a vivência compartilhada em alguns momentos do curso com crianças e adolescentes, pretende-se:

  • Aplicar o conhecimento e a experiência sistêmica, compreensões e procedimentos da terapia familiar sistêmica para o trabalho com crianças;
  • Vivenciar as ordens da família e seus efeitos no grupo de crianças
  • Demonstrar como é possível ensinar a visão sistêmica para crianças;
  • Buscar o desenvolvimento pessoal da criança e adolescente;
  • Usar a imaginação a favor das constelações familiares
  • Oferecer recursos teórico-práticos para a formação continuada de professores e de educadores, de um modo geral;
  • Instrumentalizar consteladores, educadores e pais em seu desenvolvimento e formação pessoal;
  • Analisar situações problemáticas de alunos, professores e filhos, segundo a visão sistêmica fenomenológica das Constelações Familiares;
  • Observar fenomenologicamente diferentes problemas de crianças e adolescentes;
  • Discutir as ordens e os princípios que regem os sistemas familiares e educativos;
  • Vivenciar diferentes recursos sistêmicos na intervenção e prevenção de dificuldades de crianças e adolescentes;
  • Vivenciar constelações de crianças e adolescentes;
  • Constelar situações trazidas pelo grupo. 

 CONTEÚDO

  • Pressupostos básicos
  • Fenomenologia e constelação
  • O trabalho com o grupo
  • O sistema
  • Tipos de Família
  • O papel da imaginação
  • O sim
  • Postura do constelador
  • As Leis Sistêmicas
  • Técnicas de trabalho com criança e adolescente
  • Técnicas sugeridas
  • A doença dos pais após a constelação de crianças
  • Referências Bibliográficas

 A QUEM SE DESTINA:

Consteladores, Consteladores em formação, professores de todos os níveis, educadores sociais, diretores, coordenadores, pais de alunos e todos os profissionais que possuem uma relação direta ou indireta com crianças e adolescentes.

 DOCENTE / CONSTELADORA SISTÊMICA:

 Ana Lucia Braga

  • Terapeuta de Constelações Sistêmicas
  • Terapeuta Corporal Neo Reichiana
  • Psicopedagoga Clínica e Institucional

 Mini curriculum:

  • Constelações Sistêmicas em São Paulo, na primeira turma do médico e terapeuta Renato Shaan Bertate, realizando seminários com os terapeutas alemães: Mimansa Erica Farny, Mariane Franke e Hady Leitner.
  • Participou de seminário com o terapeuta alemão Jacob Schineider em 2001 e dos seminários de Bert Hellinger no Brasil, em 2005, 2006 e 2007, Belo Horizonte, Goiânia e Brasília, respectivamente. Participou dos I, II e III Treinamentos Avançados em Constelações Familiares, conduzidos por Bert Hellinger e Sophie Hellinger, em Águas de Lindoia – SP, e no México, em 2008, 2009 e 2011.
  • Terapia Corporal Neo Reichiana pelo Instituto Lúmen de Ribeirão Preto.
  • Psicopedagogia pelo Hospital das Clinicas – USP – Ribeirão Preto.
  • Mestrado pela Faculdade de Educação da UNICAMP, departamento de Psicologia.
  • Graduação pela Faculdade de Educação da UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
  • Atuou como docente em todos os níveis de ensino (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e ensino superior). Atuou como coordenadora pedagógica em Educação infantil, no ensino fundamental e em educação especial.
  • Atua como terapeuta e facilitadora de grupos (terapêuticos, de estudos, de pais), desde 1988, e como consteladora sistêmica desde 2004.
  • Realiza atendimentos individuais e grupais no consultório desde 1988, como psicopedagoga e terapeuta de adultos

 INVESTIMENTO: R$750,00 (incluindo alimentação)

LOCAL:
Sítio das Acácias – Santa Cruz da Esperança – SP (Próximo a Ribeirão Preto)

INSCRIÇÕES: Telefones: (16) 30215490 – 32353338 – 32353339 - 99994 7224. 

E-MAIL: anaabbraga@gmail.com 

 

 

AS ORDENS SISTÊMICAS

Módulo II – Tipos básicos de envolvimentos sistêmicos

Produção de texto: As Ordens Sistêmicas, Por aluna Rúbia de Oliveira Vasques.

Sou espírita. Aprendi que há leis que regem o Universo, o ser humano e a natureza em geral. Aprendi sobre a lei da “ação e reação”, “plantando que se colhe” enfim, uma série de outras leis que me ajudaram a entender várias situações da vida e do dia a dia.

Em família temos o hábito de ler o evangelho no lar. E sempre que pedia para meu marido comentar o texto ele dizia: “Acho que tem muito mais coisa do que isso”. E parava por aí. Eu não me conformava porque aparentemente ele parecia estar curioso para algo mais, mas… Sempre ficou ali naquela frase. Mas eu sempre levei a frase comigo. Até o dia em que conheci a constelação.

Para mim a sensação é visual. É como se as relações (boas e más, corretas e não corretas) entre os seres ficassem registradas de alguma forma no Universo (campos morfogenéticos) tanto atos como pensamentos e sentimentos. Depois que conheci a constelação começo a dar mais atenção aos meus pensamentos, pois verifico que em algum lugar eles ficam registrados. Muito embora no espiritismo aprendêssemos que os espíritos ouvem aquilo que pensamos e desta forma fazemos a sintonia com os desencarnados (elevados e espíritos tão teimosos ou endurecidos quanto nós mesmos).

                     Os campos morfogenéticos são estruturas invisíveis que se estendem no                          espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas                        do mundo material. Rupert Sheldrake,

A imagem que me vem deste Universo é como se fosse um tapete tecido à mão. Há os fios, as tramas, os pontos e os emaranhamentos (ou seja, aqueles nós que damos entre fios que nos prendem a determinadas situações ou pessoas estejam elas encarnadas ou não).

Quando se dá a constelação sistêmica para mim fica como se este tapete – universo fosse sacudido e os nós (emaranhamentos) ficassem endireitados/libertos/frouxos entre si. Como se a energia estagnada ali fluísse finalmente e a trama do tapete ficasse em ordem e aquele nó, finalmente começasse a ser destaque naquele tapete numa certa harmonia. Desta forma aquele que está na ponta do tapete pode admirar sua trajetória e dar continuidade a sua própria vida e quem sabe aumentar aquele tapete.

                       As Ordens do Amor são um conjunto de “leis” que regem a estrutura                                familiar, como uma força invisível que tem como função manter o equilíbrio                    do sistema. Hellinger observou que quando estas Ordens eram desrespeitadas               dentro de uma família, uma nova forma de comportamento das pessoas era                          percebida e se repetia nas gerações seguintes, independente de que tivessem              consciência. A este fenômeno ele deu o nome de “emaranhamento”, o que                        denunciava dentro daquela família, padrões alterados deste fluxo de energia, tais               como: doenças, brigas, perdas, tragédias, ou seja, uma interrupção do fluxo de                  energia que manteria a família unida em harmonia. Dr. Renato Shaan Bertate,                    médico e facilitador sistêmico.

Na constelação sistêmica aprendemos que há 3 leis: da pertinência, do equilíbrio e da ordem ou hierarquia. Hoje, depois de assistir algumas constelações e de estar lendo o terceiro livro sobre o tema, acredito que, quando aprendermos exatamente o significado de cada uma destas leis, e talvez vivermos em acordo com cada uma delas, estaremos criando menos emaranhamentos em nossas próprias vidas.

 

Lei da pertinência:

Acredito que a ignorância, o orgulho e o egoísmo têm sido os responsáveis por termos deixado ao longo da história da humanidade: pessoas de lado – tornando-os excluídos e marginalizados.

• Todos têm o direito de pertencer. Quando há exclusões, há desequilíbrio.  Esta lei foi vivenciada na minha família, quando eu e meu irmão fomos retirados de minha mãe e nunca mais se falou nada sobre ela. Apenas quando eu estava com 18 anos de idade e meu irmão com 20 reencontramo-la. Mais por iniciativa dela do que nossa. Por algum motivo, que ainda desconheço não fomos procurá-la e ainda hoje não somos felizes ao lado dela. O relacionamento é bem difícil para todos nós 3.

• Dinâmicas mais comuns:
• Eu sigo você no seu destino (que mostra a fealdade à pessoa excluída).
• Pessoa que olha para fora
• Morte ou esquecimento precoce
• Identificação com a morte

Olhando para minha família de origem confesso que tive medo de ficar solteirona. Fui criada por minhas duas tias solteiras. Minha avó ficou viúva com 6 filhos e tinha orgulho de dizer que foi paquerada, recusou um novo marido, mas orgulhava-se de ter criado os filhos sozinha e ainda adotou outro filho (repleto de problemas). Não tive um referencial masculino em minha casa, mas hoje percebo que segui o destino do meu pai: Ele casou-se duas vezes com a mesma mulher. E eu casei-me 20 anos depois, com meu primeiro namorado. Essa descoberta foi um choque para mim.

Quando essas forças não são respeitadas, cria-se o emaranhamento. E as gerações futuras pagam por essa nova dinâmica com sensações de sofrimento, infelicidade, doenças, suicídios, etc. O sistema (ou parte dele) passa a viver as consequências disso. As gerações futuras vivem ou passam a reproduzir. (texto em sala de aula)

Força do Equilíbrio

• Respeito pelos pais – receber – tomar dos pais
• Adoção
• Injustiças

Sempre tive a sensação de que meu pai era melhor do que minha mãe: Ele estudou, era inteligente. Ganhou na loteria. Comprou dois imóveis. Mas tinha um temperamento difícil. Já minha mãe não estudou, tem uma letra horrível, fala o português errado, é simples. Mas é esperta, lutou e conseguiu tudo o que tem material, sozinha: carro, duas casas. Tem temperamento muito difícil. Não é afetiva. É viúva. Hoje reconheço que ambos tiveram vida afetiva infeliz.

Já agradeci minha mãe pelo útero, por ela ter me trazido ao mundo. Ela arregalou os olhos quando fiz isso, mas mesmo assim nosso relacionamento até hoje não é de mãe para filha. Sinto que não nos aceitamos uma a outra. Que nossas expectativas eram bem diferentes do que temos como mãe e filha. Hoje para conviver com ela procuro aceitar aquilo que ela dá. Sem pedir mais nada. Não é bom, mas é o que tenho.

Força da ordem ou hierarquia

• Prevalência, • Precedência, • Procedência  • Casamento que vem primeiro

Esta lei me ensinou as dores que sofri por desrespeitá-la. Ao chegar em Ribeirão Preto. Fui participar de várias atividades como voluntária. Certo dia, percebi que incomodava algumas pessoas e chegava a causar ciúmes. Foi quando me dei conta desta lei. Eu a havia desrespeitado! Voluntariei-me tanto que incomodei alguma energia ali existente deste sempre, e que aproveitei alguma brecha existente (provavelmente algum ponto solto no tapete) e me destaquei. Eu não pedi licença, fui ocupando o espaço. Fui voluntariosa. E…. incomodei a algumas pessoas mais do que gostaria.

Outro rico aprendizado foi sobre aprender a respeitar o primeiro casamento do meu marido. Depois de um tempo morando juntos reconheço que ela tem um papel importante na vida dele. Mesmo antes de conhecer as leis do amor eu já percebia que ela foi fundamental na vida dele.

 

TEXTO PRODUZIDO COMO TAREFA DO MÓDULO II, DO CURSO VIVENCIAL TREINAMENTO EM CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS FAMILIAR E ORGANIZACIONAL, COORDENADO PELA PROFESSORA – CONSTELADORA ANA LUCIA BRAGA, EM RIBEIRÃO PRETO – SP 

As Ordens Sistêmicas

TEXTO ESCRITO PELA ALUNA MÔNICA SANTOS

Tarefa do Módulo II – Tipos básicos de envolvimentos sistêmicos, do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Sistêmicas, de Ana Lucia Braga, em Outubro de 2013.

As Ordens Sistêmicas 

 “A autoridade que devemos seguir está dentro da nossa alma.” Com essa afirmação Bert Hellinger nos direciona para um importante despertar na nossa vida – as ordens sistêmicas que atuam nas nossas relações, e que, muitas vezes, seguimos sem consciência, sem conexão, apenas seguiram, apenas sobrevivemos.

A grande descoberta de Hellinger foi justamente essas ordens sistêmicas, que fazem fluir o amor nas famílias. Muitas coisas nos impedem de olhar para elas. Além da própria desconexão, as muitas crenças preconcebidas nos desviam dessa luz.

Conscientemente, as pessoas querem que o amor floresça nas suas relações e sabem que para isso acontecer devem  fazer o que ele exige (respeitar, perdoar, tolerar, ajudar) e evitar o que o prejudica (mentir, enganar, tirar proveito, agredir, impor), mas inconscientemente, o Amor segue as ordens ocultas da Grande Alma, como descobriu Bert Hellinger. É por isso que, apenas querer o amor, não é suficiente. Muitas vezes as atitudes, assim como as escolhas, são contrárias a ele.

O trabalho de Bert Hellinger é estabelecer a cura dessas relações através do reestabelecimento das ordens do amor.

Somos tão influenciados pelas Ordens do Amor quanto uma árvore é influenciada pelo seu ambiente.

Não acredito que seja à toa a imagem da árvore genealógica. No crescer vertical, com os galhos bem distribuídos da árvore, existe o movimento e o fluxo de equilibrar-se entre a força gravitacional e a atração do sol – quando o externo impossibilita esse equilíbrio, como falta de estabilidade da terra, ventos muito fortes, falta de agua, solo, etc. A árvore compensa com suas torções, crescimento, forma, etc. em busca de equilíbrio orgânico. Dessa forma, não existe melhor ou pior, mas diferente.

As ordens do Amor são forças dinâmicas, articuladas e invisíveis que agem e influenciam nossas relações. Como não conseguimos enxergá-las, sentimos seus efeitos e atrás deles – forma, sintomas, torções, doenças, paz, turbulência, sofrimentos, bem estar – podemos identificar  a ordem ou a desordem.

O conhecimento e a tomada de consciência dessas ordens sistêmicas ajudam pessoas na capacitação e solução das dinâmicas  sistêmicas, assim como contribui para um novo direcionamento para a construção de novos ambientes psicológicos.

O instrumento criado por Hellinger para acessar e redirecionar essas ordens invisíveis foi a Constelação familiar.

“Penetrar as Ordens do Amor é sabedoria. Segui-las é humildade.” Bert Hellinger

A primeira ordem do Amor é a pertinência. É ela que nos liga uns aos outros no grupo e é por ela que se excluem os que são diferentes e nega-lhes o direito de participação. Todos têm direito de pertencer e a exclusão é uma desordem do Amor.

A segunda ordem do Amor é o equilíbrio – o dar e receber nas relações são regulados pela necessidade de equilíbrio, não que ele exista a todo momento, mas a sua busca é constante. O amor é que governa o equilíbrio. Se um recebe sem dar, o outro perde o desejo de dar mais. O amor limita o dar segundo a capacidade que o outro pode ou  quer retribuir.

A Terceira ordem do Amor é a ordem ou hierarquia. Entende-se ordem como um conjunto de regras e convenções sociais que regem a vida comunitária de um grupo social. A ordem marca os limites da integração: os que aceitam pertencem ao grupo. A ordem governa o comportamento e dá forma aos papéis que desempenhamos no grupo. Exemplos:  Quem chegou primeiro tem prioridade – a ordem segue os ponteiros do relógio. O homem vem primeiro que a mulher. O filho mais velho ao lado da mãe, à esquerda. Filhos de divórcio ficam no meio dos pais. O sistema novo tem prioridade sobre o anterior. O filho do casamento anterior tem precedência sobre o casamento atual (esposa e novos filhos).

Dessa forma, a organização nos grupos familiares possibilita o fluir do amor nos relacionamentos. Essa organização inclui: 1) o vínculo  (pertinência); 2) o equilíbrio entre o dar e receber (equilíbrio) e 3) a ordem (ordem de precedência, procedência).

Extraído do livro: A simetria oculta do Amor de Bert Hellinger

FENOMENOLOGIA E CONSTELAÇÃO FAMILIAR

FENOMENOLOGIA E CONSTELAÇÃO FAMILIAR

Compreende-se a fenomenologia (do grego phainesthai )  como o estudo dos fenômenos apresentados na mente a fim de encontrar as verdades da razão, ou seja, é a investigação que busca a essência inerente à aparência. Desse modo assume duas concepções simetricamente opostas; a 1ª compreendida como o ato de ocultar a realidade e a 2ª manifestação ou revelação da mesma realidade, de modo que esta encontra na realidade a sua verdade, a sua revelação. Tudo isso ocorre  através da intuição, que tem como propósito descobrir estruturas essenciais dos atos (noesis) e as entidades objetivas que correspondem a elas (noema). Segundo a fenomenologia, tudo que podemos saber do mundo resume-se a esses fenômenos. Foi fundada por Edmund Husserl (1859-1938) – filósofo, matemático e lógico. Heidegger, outro filósofo, mostra que a fenomenologia compreende a verdade como um caráter provisório, mutável e relativo, radicalmente diferente do entendimento da metafísica que pressupõe a verdade como una, estável e absoluta. Heráclito diz que “nada é permanente, exceto a mudança”.

A fenomenologia é uma postura ou atitude,  uma forma de compreender o mundo e não uma teoria (modo de explicar), estando de frente o seu olhar para o fenômeno.  Dessa forma, ela abre-nos as portas de um novo modo de conhecer as coisas do mundo, tarefa um tanto quanto complexa e efetiva. O nascimento da fenomenologia como um questionamento elaborado, nos faz reformular o entendimento a respeito das coisas básicas, como a compreensão do homem e do mundo.

CONSTELAÇÕES FAMILIARES: É uma proposta psicoterapêutica com fundo filosófico, desenvolvida pelo filósofo alemão Bert Hellinger. Ela busca ser fundamentada nos estudos das dinâmicas comportamentais que são pautados na verdade daquilo que não se vê, mas que é manifestado como se fosse um organismo vivo capaz de desequilibrar o funcionamento de todos envolvidos. Repetições de padrões de comportamentos influenciados pela família atual, de origem e grupos de familiares ao longo de outras gerações podem provocar o sistema individual e coletivo, proporcionando emaranhamentos, a abordagem é vista com foco Sistêmico Fenomenológico.

A atuação da mesma ocorre com a apresentação de um tema, onde será direcionado de forma focada, através das informações captadas pelo terapeuta, o qual busca fatos sobre a vida de membros da família do “constelado”, como mortes precoces, suicídios, assassinatos, doenças graves, casamentos anteriores, número de filhos ou irmãos.

Os benefícios são diversos, devido inclusive, aos efeitos esclarecedores, sendo eles: melhoria das relações familiares, das relações interpessoais nas empresas, das relações no ambiente educacional.

Esse trabalho oferece a oportunidade de identificarmos conscientemente o que ocorre no sistema familiar e resolver conflitos a partir da escolha interna de cada um.

Seu método é utilizado para auxiliar em conflitos familiares (pais, filhos, irmãos, tios, avós), conflitos entre casais, dificuldade em lidar com perdas de parentes, pessoas queridas ou parceiros, dificuldade em relacionar-se de uma forma geral, dificuldade em comunicar-se, problemas de saúde, conflitos entre sócios, funcionários e clientes, problemas financeiros, por exemplo.

Através da Constelação Familiar pode-se trazer à luz a dinâmica escondida no Sistema Familiar e desenvolver a força interior da família. A capacidade de entender seu próprio comportamento fica ampliada, sendo possível, a reconciliação consigo mesmo e com os outros membros do Sistema, através da reorganização das Ordens do amor que passam a ser respeitadas, sendo elas: Pertencimento, Hierarquia e Equilibiro. É uma forma eficaz de resolver emaranhamentos antigos e liberar toda a energia para se viver uma vida mais saudável, natural e espontânea, libertando dessa forma as gerações passadas e futuras da família.

Santo Agostinho, quando falava dos três momentos interiores através dos quais se dava o tempo: expectação, atenção e memória. Com genialidade, o filósofo cristão já intuía a síntese do tempo no fenômeno da temporalidade. O tempo que se dá no espírito humano é unificado e não compartimentado entre passado, presente e futuro. Os três momentos ou manifestações do tempo acontecem na vida do espírito por meio da dinâmica existencial, ele foi capaz de perceber e de tematizar o problema da unidade do ser do homem. Para ele, evidentemente, como filósofo cristão, tal unidade encontrava-se no encontro com Deus. Mas o que importa salientar aqui é o insight que permeia a questão: o homem se vê um ser dividido, ambíguo, ambivalente e anseia por alcançar sua unificação. E dessa forma é necessário resgatar essas memórias ao longo dos tempos, para que alcance essa purificação.

Com base nessas informações, solicita-se ao cliente que escolha um representante, de preferência que não conheça no grupo sua história, alguns para representar membros do grupo familiar. Esses representantes são dispostos no espaço de trabalho de forma a representar o que ocorre no campo, o que acontece nas relações entre tais membros. Em seguida, guiado pelas reações desses representantes, pelo conhecimento das “ordens do amor” e pela sua conexão com o sistema familiar do cliente, o terapeuta conduz, quando possível, os representantes até uma imagem de solução, onde todos os representantes tenham um lugar e se sintam bem dentro do sistema familiar.

“A constelação sistêmica pode ser realizada em grupo (workshop) ou individualmente com utilização de bonecos ou figuras. A terapia se dá através da reunião do terapeuta, do cliente e de um grupo de pessoas que são convidadas a representar membros da família do cliente. A sessão tem início quando o cliente manifesta a questão que quer trabalhar e escolhe representantes para seus familiares. Neste momento, abre-se a permissão energética, e pode-se ver neste “campo”, o desenrolar da verdade e trazer à luz aquilo que está atuando no sistema familiar.

Este método não tem cunho religioso e sim fenomenológico. Podemos comparar a um efeito de  milhares de ondas de rádio que cruzam o espaço sem que possamos acessá-las.  Com isso imagina-se como um aparelho de rádio, que é ligado a uma determinada estação (frequência) e apenas por conta disso passamos a ouvir imediatamente a sua programação.

No caso das constelações familiares, o membro da família é o responsável por “autorizar” que a frequência de sua família seja sintonizada e possa ser captada no ambiente por representantes, a partir da sensibilidade corporal dos mesmos, situações essas que ocorrem sem qualquer manipulação, e, assim, sendo possível perceber os emaranhados com clareza e dar início à sua dissolução.

TEXTO ESCRITO PELA ALUNA CLEONICE DO CARMO – CLEO

Tarefa do Módulo I – Introdução às Constelações Sistêmicas, do Curso Vivencial – Treinamento em Constelações Sistêmicas, Turma III, de Ana Lucia Braga, em Agosto de 2013.

A Três Leis Sistêmicas

       A Três Leis Sistêmicas

Texto escrito pela Aluna Susana Komesu, como Tarefa do Módulo II – Tipos básicos de envolvimentos sistêmicos, do Curso Vivencial Treinamento em Constelações Sistêmicas, Turma III, de Ana Lucia Braga, em Novembro de  2013.

De acordo com Bert Hellinger, para que seja possível vivermos de maneira harmoniosa, é necessária a observância às três leis sistêmicas: a da hierarquia, a da pertinência e a do equilíbrio. Quando o desrespeito a uma ou mais dessas leis ocorre, há sofrimento inexorável -  aquilo a que a constelação sistêmica nomeou “emaranhamento”.

A lei da hierarquia rege o direito a que todos os membros da família têm de ocuparem seus devidos lugares. Para que haja o bom relacionamento familiar, é preciso que cada membro ocupe seu lugar na hierarquia. Se a ordem, dita natural, for rompida, o emaranhamento tem início e pode causar sofrimento não só à família onde isso ocorreu inicialmente, mas, também, aos descendentes dela. A confusão de papéis na família pode ter início na família de origem dos pais e depois alastrar-se para os filhos e seus descendentes e assim sucessivamente. Para que a harmonia se restabeleça faz-se imperativo que os pais sejam os “grandes” e os filhos sejam os “pequenos”. A ordem diz que aquele que vêm antes, vem primeiro. Assim temos: pai, mãe e filhos. No caso de famílias mistas, o primeiro cônjuge vem primeiro, assim como seus filhos. Entretanto, num segundo casamento (com ou sem filhos), a prioridade é a do relacionamento atual. Além dos filhos do primeiro casamento, é necessário que se respeite o lugar daqueles que foram abortados ou nascidos em segredo ou mesmo aqueles já mortos. Em famílias onde os filhos assumem o papel dos pais, dando ordens, tomando decisões, colocando-se acima de sua autoridade, reivindicando mimos, passando por cima dos pais, há possivelmente uma situação de sofrimento que advém do emaranhamento sistêmico pela desobediência à lei/força da hierarquia. Os filhos sempre têm que ser menores em relação aos pais, independentemente de sua idade. Somente quando os filhos “tomam” os pais, aceitando e agradecendo sem atitudes presunçosas ou desrespeitosas em relação àqueles que lhes deram a vida, é que as relações podem se desenrolar saudavelmente.

A segunda lei sistêmica rege a troca equilibrada em um relacionamento. Quando um dos parceiros dá mais do que recebe, há o desequilíbrio e a busca pela compensação causa sofrimento. Essa busca pela igualdade entre o dar e o tomar gera conflitos como traição, abuso emocional ou físico, etc. Numa relação comercial saudável, a situação ideal é a de “win-“win” onde ambas as partes saem ganhando. Caso contrário, há uma parte que sai em desvantagem e causa um desequilíbrio na balança de trocas gerando situações de conflito que podem incluir dívidas, perda de contratos, perda de confiança entre as partes, etc.

Os filhos que estão emaranhados, por amor ou lealdade identificam-se com aqueles que receberam menos e podem mergulhar em dívidas (que têm que pagar porque houve abuso no “tomar” da família de origem). Se o abuso foi sofrido pela família de origem, pode haver filhos que identificam-se com o sentimento de vingança com relação ao abusador, por exemplo, revoltando-se, brigando, assassinando ou abusando moral ou sexualmente de outrem.

A terceira lei é aquela que diz respeito ao direito que todos têm de pertencer à família. Quando esse direito é negado, o membro é excluído do grupo e isso causa sofrimento. Os emaranhamentos sistêmicos na família de origem podem enredar os filhos e fazer com que estes, numa tentativa de incluir aqueles esquecidos, abortados, marginalizados, identifiquem-se com eles e repitam padrões de comportamento, mesmo que inconscientemente. Novamente, por amor ou lealdade (ou fealdade), eles repetem o padrão que pode levá-los à morte precoce, à senilidade, ao esquecimento, solidão, depressão, rejeição a filhos fora do casamento, morte por assassinato em que o filho é arrancado (excluído) da família, etc. A pobreza e o fracasso (amoroso ou profissional) pode ser consequência da desobediência a essa lei. Um filho (ou esposa) pode (por lealdade ou amor) escolher a miséria (ainda que inconscientemente) por medo de ultrapassar ou ser melhor que sua família de origem (no caso da esposa, de ser mais próspera do que o marido) e, causar sua própria exclusão do grupo por ser diferente. Ainda que nesse caso o diferente seja bom e rico.

A constelação sistêmica possibilita a dissolução desses emaranhamentos e a quebra de padrões de comportamento e autoriza o indivíduo a “fazer diferente” de sua família de origem.