CURSO DE GENOGRAMA E FOTOGRAFIA

GENOGRAMA E FOTOGRAFIA

 

ANA LUCIA BRAGA E CESAR MULATI

 

GENOGRAMA E FOTOGRAFIA é um curso que tem como objetivo a criação de Genogramas a partir de uma prática diferenciada e inovadora que tem na FOTOGRAFIA uma ferramenta alternativa para a construção dos mesmos.  Através de orientações teórico-práticas, cada participante terá oportunidade de produzir seu próprio GENOGRAMA e posteriormente, participar de movimentos sistêmicos e/ou de constelações familiares originados pelos mesmos.

 

Genograma é uma representação gráfica, imagética e simbólica da família. Como em uma constelação familiar, nele são representados o grau de parentesco, padrões de comportamento e, entre tantos outros aspectos, padrões sistêmicos de funcionamento de uma família.

Com o auxílio das constelações familiares, dos movimentos sistêmicos e a partir das informações que vão sendo geradas por essa poderosa ferramenta, é possível criar movimentos curadores no âmbito da família.

 

Fotografia é uma linguagem universal, que por ser a materialização do olhar, é acessível a todos que contemplam e observam visualmente o mundo ao seu redor. A partir do descondicionamento desse olhar, muitas vezes cristalizado pela aspereza dos tempos, podemos trabalhar o lúdico, o simbólico, o experimental e que, nesse processo terapêutico, pode auxiliar nas informações acerca da família.

 

Pretende-se iniciar a construção do genograma pessoal, utilizando, além das informações trazidas pelo aluno, imagens “capturadas” em incursões fotográficas sob orientação do fotógrafo e professor Cesar Mulati. Essas incursões farão parte do processo de formação dos Genogramas que serão orientados, assim como os movimentos sistêmicos, pela terapeuta e consteladora Ana Lucia Braga.

Não trabalharemos com fotografias de família, mas construiremos as imagens da família, a partir das fotos tiradas no sítio.

 

Este trabalho será realizado em duas partes, com 15 horas cada, no Sitio das Acácias, onde os participantes ficarão hospedados durante o evento.  O valor do investimento que contém as duas partes é de 1.300 reais, que pode ser dividido em três vezes: fevereiro, março e abril.

Trata-se de um trabalho novo e ousado.

Venha participar conosco.

 

FACILITADORES: ANA LUCIA BRAGA & CESAR MULATI

LOCAL: SÍTIO DAS ACÁCIAS

DATAS: 05 e 06 DE MARÇO

              02 e 03 DE ABRIL

HORÁRIO: SÁBADO 9 ÀS 19 HORAS E DOMINGO DAS 9 ÀS 15 HORAS

INVESTIMENTO: R$ 1.300 (TRÊS DE R$ 433,00, FEVEREIRO, MARÇO E ABRIL. OU DUAS DE R$ 650,00 EM MARÇO E ABRIL)

 

INCLUÍDAS HOSPEDAGEM E ALIMENTAÇÃO

 

CONTEÚDO: 1ª. PARTE –   O GENOGRAMA

                                                DESCONDICIONAMENTO DO OLHAR

                                                FOTOGRAFAR

                                                SELECIONAR E IMPRIMIR

                                                MONTAR O GENOGRAMA

                                                INÍCIO DAS LEITURAS DOS GENOGRAMAS

 

2ª. PARTE – 

COMPLEMENTAÇÃO DOS GENOGRAMAS

CONTINUAÇÃO DA LEITURA DOS GENOGRAMAS FOTOGRAFADOS

MOVIMENTOS SISTÊMICOS E/OU CONSTELAÇÕES FAMILIARES

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WORKSHOP EM RIBEIRÃO PRETO – SP CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS FAMILIARES E ORGANIZACIONAIS 29 e 30 de Janeiro, sexta e sábado

WORKSHOP EM RIBEIRÃO PRETO – SP
CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS FAMILIARES E ORGANIZACIONAIS
29 e 30 de Janeiro, sexta e sábado
Inscreva-se: (16)30215490 – 32353338 – 32353339

AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES E A LEI DA PERTINÊNCIA
Segundo a Lei da Pertinência, ninguém pode ficar de fora, excluído do sistema; todos os membros têm direito de pertencer a ele. Quando ocorre a exclusão de um dos elementos do sistema, gerações seguintes emaranham-se com esse membro, identificando-se com ele, tentando, de algum modo reintegrá-lo. É uma tentativa vã, já que o que move esse elemento que veio depois, além da necessidade de compensação, é o amor cego, fantasioso e infantil.
Fatos como mortes precoces, mortes ocorridas com menos de vinte e cinco anos, morte do pai ou da mãe, deixando filhos pequenos, abortos espontâneos ou provocados, mortes durante o parto, suicídios ou tentativas, assim como crimes em que se exclui intencionalmente ou não a vítima ou o agressor são essencialmente importantes, assim como os assassinatos, as crianças abandonadas, os que utilizam drogas, a prostituição, as deficiências, entre outros fatos que podem estar ligados a exclusões.
Do livro de Ana Lucia Braga: Constelações Familiares, relatos de conflitos e soluções, 2011

Venha participar conosco das constelações do próximo final de semana. As inscrições estão abertas. As Vagas são limitadas.

WORKSHOP
29 e 30 de Janeiro, sexta e sábado
Inscreva-se: (16)30215490 – 32353338 – 32353339

Foto de Ana Lucia Braga.

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A conexão com a morte provocada pelo Fluxo do Amor Interrompido

A conexão com a morte provocada pelo Fluxo do Amor Interrompido

Por Ana Lucia Braga

Janeiro de 2016

Gostaria de falar um pouco sobre a criança pequena e o fluxo do amor interrompido. Isso mesmo: o amor que sofre uma interrupção, criando, na criança, um sentimento de insegurança em relação à vida, um sentimento profundo de conexão com a morte mesmo.

Fiz alguns atendimentos a pessoas que desenvolveram doenças autoimunes por conta do fluxo do amor interrompido e a outras pessoas, com doenças emocionais graves, como depressões e transtornos de ansiedade.  O foco é a primeira etapa do desenvolvimento infantil, especialmente os momentos iniciais, do nascimento ao terceiro ano de vida.

A criança, inicialmente, vive uma relação de completa dependência e simbiose com a mãe. Ela e a mãe são uma coisa só. Vive durante nove meses dentro do útero, sem a menor condição de fazer qualquer coisa por si só. Após o nascimento, como um bom filhote de humano, vive na dependência absoluta até o terceiro ano, quase quarto.

Do nascimento até um ano e meio, a criança cresce e se desenvolve rapidamente e continua vivendo na mais completa dependência, ainda que fora da barriga da mãe. Se não tiver alguém que “trate” dela, que cuide, provavelmente morrerá: de fome, de sede, suja e infectada por suas próprias urina e fezes. Nos primeiros meses de vida, existe uma indiscriminação em relação à mãe. É como se a mãe fosse extensão da criança. A simbiose do útero se estende, muitas vezes também para a própria mãe, que sabe conscientemente que não é a criança ou extensão dela. E isso é bom. Isso é vida, é conexão, é saúde.

Após um ano, a criança já começa a caminhar, comer com ajuda. Fala algumas palavras. Já está mais independente, pois saiu do colo, foi para o chão. Desgrudou. Vai e vem sozinha.

Por conta do desenvolvimento da linguagem, especialmente a partir do segundo ano de vida, a criança parece já estar mais crescida. Aos três anos de idade, já forma até frases completas. Compreende melhor o mundo e até aprende que há regras que precisam ser obedecidas, contratos, “combinados” que precisam ser cumpridos. Apesar da maior autonomia, continuam dependentes. São egocêntricas, por isso não percebem realmente o outro. Para elas a única coisa que existe são suas necessidades. E é mesmo. Piaget chamou esse momento do desenvolvimento humano de Estádio Sensório-Motor. São sensações que vão se vinculando a comportamentos motores.

A partir dos dois anos e meio, mais ou menos, a criança entra em outro momento do desenvolvimento, mais inteligente, mais sensível, é quando aparece a capacidade de representação, que Piaget chamou de função simbólica ou semiótica. Pulam, saltam, gritam os significados. E o entendimento do mundo passa a ser outro. O pensamento não é apenas sensório motor, ele tem um caráter lúdico, o pensamento é simbólico: é a inteligência simbólica.

Ainda suas necessidades estão acima de qualquer coisa, a dependência do outro é extrema, ainda que a “independência” e autonomia sejam gritantes. O pensamento é mágico, animista, pré-lógico, artificialista. Não é possível discriminar o real do irreal.

A criança de três anos está no início do período simbólico, ainda é profundamente dependente da mãe ou de quem cuida dela. Ela é física e emocionalmente dependente.

Ressalto a dependência por conta do sentimento de morte, provocado pela ruptura, quando há a separação (curta ou longa) da criança da mãe. E, posteriormente aos primeiros momentos da vida, também do pai.

Nas Constelações Familiares vemos claramente o amor que cura e o amor que adoece.

Hellinger afirma que “o amor no seio da família tanto pode provocar doença como restabelecer a saúde”. Diz também que “não é a família que provoca as doenças, mas a profundidade dos vínculos e a necessidade de compensação. Quando se traz isso à luz, esse mesmo amor e essa mesma necessidade de compensação podem, num nível superior, ter uma influencia benéfica sobre a doença.”

O que produz as doenças, poderíamos perguntar?

As lealdades invisíveis produzem as doenças e, somos leais por Amor. O amor cego e infantil.

Maturana e Varela, em seu livro “A árvore do conhecimento” dizem que o que chamamos nas constelações de amor pode ser chamado de deriva, de uma demanda biológica, sem o controle do ser humano. É o ontogenético a serviço do filogenético. É interessante pensar nisso. Pensar que a gazela que fica por último no bando que será atacado por um grupo de hienas, ou lobos, fica por lealdade ao grupo. Porque é necessário que os predadores foquem em um elemento, e não no bando. E um elemento se sacrifica pelo grupo.

Hellinger diz que “Temos que reconhecer este amor profundo”.  “O amor que reconhece a família e a profundidade da vinculação, com respeito, restabelece a saúde e traz as bênçãos”.

Muitas das doenças que estão presentes hoje na vida do ser humano, são, portanto, doenças sistêmicas. Doenças que vêm compensar, de algum modo, algo de grave que ocorreu na família. Um filho que “tomou” o lugar do pai ou da mãe, dizendo (inconscientemente) “eu morro para que você viva”, ou “eu pago o seu preço com a minha doença”.

São dinâmicas presentes nos sistemas familiares, invisíveis, que muitas vezes são repetidas por muitas gerações.

Além deste amor inconsciente pelo sistema familiar, que sequer depende do conhecimento e da convivência com nossa família, temos também todos os envolvimentos relacionados à doença e à saúde, que podem ganhar status estruturais em termos de desenvolvimento ontogenético. Ou seja, doenças que podem ter sua origem no sistema familiar (lealdades), mas também ser geradas a partir de contextos ambientais e relacionais.

O “Fluxo do Amor Interrompido” é um aspecto que tem a ver com o relacional.

Como diz Franke-Bryson, esse amor que adoece “tem origem na interrupção do fluxo de amor entre pais e filhos e pode levar a uma redução na capacidade de estar presente e sentir emoções primárias.”

Pessoas que vivem essa dinâmica, em geral, são pessoas ativas e funcionais, mas com uma dificuldade em reconhecer que têm o suficiente. Algo sempre está faltando, não podem chegar à plenitude, não podem se entregar, nas suas relações; vivenciam dificuldades na conexão com o outro. Muitas vezes sentem-se inseguras, desconfiadas.

Há um grande sofrimento, mas por serem pessoas tão “normais”, até com sucesso em algumas áreas da vida, fica difícil identificar o motivo, a causa daquele sofrimento. Se é que podem chamar o que sentem de sofrimento. E, muitas vezes, têm uma boa relação com o par parental (tanto com o pai, quanto com a mãe).

Atendi, no ano que passou, 2015, alguns casos que tinham a ver com o fluxo do amor interrompido ou movimento interrompido. Eram sofrimentos enormes, de pessoas que diziam “ter tudo”, mas não conseguiam se sentir inteiras, felizes. Pessoas que buscaram, inconscientemente, parceiros que podiam lhes dar bem pouco, ou que viviam sob a ameaça de “já já vou perder tudo isso…” porque seu companheiro ou companheira, de fato, não estava disponível. Buscavam o conhecido, a repetição.

Após investigação, observamos que na tenra infância, o cliente tinha sofrido uma ruptura em momentos iniciais de sua infância: sua mãe ficara internada durante um mês, no caso de um deles, e ele ficou com a avó. Em outro caso, a mãe viajou com o pai durante algumas semanas e deixou o bebê de meses com os avós. Em outro caso, ainda, a mãe tinha que trabalhar em outra cidade e deixou a filha com os pais dela (que cuidaram muito bem) durante um tempo. E depois o pai de minha cliente ia sempre vê-la, e aos finais de semana buscavam-na para passar com eles, pois sua mãe retornava sempre aos sábados e ia embora às segundas feiras.

Lembro-me novamente Maturana e Varela, quando, no mesmo livro citado, “A árvore do conhecimento”, abordam sobre Domínios Comportamentais. Existe uma plasticidade estrutural no ser humano, inclusive quando se trata de sistema nervoso. E os tipos de interações, a história de cada um, vai determinar também transformações nessa estrutura inicial.

Um exemplo citado por eles nesse livro: na separação por poucas horas, de um filhote de cordeiro de sua mamãe, em seus momentos iniciais de vida, que logo é devolvido a ela (mamãe), pode-se observar um desenvolvimento normal do animal, exceto pelo fato de que o cordeirinho separado da mãe não brincará com os outros animais como os de sua espécie. Ele “não aprende a brincar; permanece afastado e solitário” (pág. 142).

Não pretendo me aprofundar nesse assunto, neste momento. Porém, neste final de ano, em minha clínica e fora dela, ouvi de várias mães de bebês entre alguns meses e três anos de vida, que viajariam de férias para o exterior sem o filho, que ficaria muito bem com os avós (e eu não duvido disso, sendo eu a avó que sou), como se fosse a coisa mais normal do mundo. Uma cliente foi fazer um curso de inglês de um mês de duração! E deixou seu filhote de 2 anos! E que falaria com ele todos os dias pelo Skype. Segundo ela, ele ficou bem com o pai. Perguntei a alguns deles: “e a criança”? E eles me responderam: “qual o problema”?

Então lhes falei sobre o Fluxo do Amor Interrompido. Que o Amor vira ameaça, sentimento de ausência extrema, como se a criança vivenciasse extremamente o sentimento de morte, a conexão com a Morte. Que o desenvolvimento natural do ser humano é afetado quando um filhote é deixado por sua mãe, especialmente, por um determinado período de tempo, seja lá por qual motivo for, tanto faz uma doença ou um curso, a morte da mãe ou a viagem de férias. Quanto mais novo, pior. Se é um tempo pequeno (uma semana, quatro dias) para um bebê bem pequeno, isso lhe parecerá demais. Para uma criança de três anos, uma semana lhe parecerá demais!

Isso tem a ver com a mãe, mas também com o pai. Sentimentos de segurança básica têm também a ver com o pai. Portanto, a ausência do pai também gera traumas na infância. Traumas de simbiose.

O filhote de 2 anos, de minha cliente, três dias depois da viagem da mãe, não queria mais falar com ela pelo computador. E não falou, durante todo mês que ela ficou fora.

A criança precisa dos pais. Especialmente da mãe. Sua personalidade se estrutura na relação com eles, especialmente na presença deles.

A ruptura gera traumas.

Um trauma que tem a ver com a sobrevivência. Com o estar no mundo de relações. Com sentimentos de abandono e de morte. Com necessidades básicas insatisfeitas. E, no início de nossas vidas isso é grande demais: a criança se liga na morte, no disfuncional.

Os pais, especialmente a mãe, são a base, são aquilo que estrutura.

Como fazer se a separação, curta para os adultos, mas longa demais para um bebê, para um filhote, parece ruptura, parece morte?

As Constelações Familiares trazem a possibilidade da reconexão com o fluxo da vida.

Outras intervenções, em consultório, focadas no fluxo do amor interrompido podem também trazer a possibilidade da reconexão.

Para mães e pais, no entanto, o ideal seria que tivessem a consciência de que filhos pequenos não podem ser deixados sozinhos. O tempo é relativo. O “pouco tempo” para os pais pode ser “muito tempo” para o filhote. A presença da mãe, especialmente, é fundamental para a criança, do nascimento até o terceiro ano de vida.

Referências Bibliográficas:

-Franke-Bryson, Ursula. O Movimento Interrompido. Em:

http://sigmasistemico.blogspot.com.br/2013/10/o-movimento-interrompido.html

– Hellinger, Bert; T. Hovel, Gabriele. Constelações Familiares. São Paulo: Cultrix, 2001.

– MATURANA, Humberto; VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. Tradução Jonas Pereira dos Santos. São Paulo: Palas Athena, 1995.

Ordens do Amor

Ordens do Amor

“As Ordens do Amor são forças dinâmicas e articuladas que sopram e revoluteiam em nossas famílias ou relacionamentos íntimos. Percebemos a desordem que sua turbulência nos causa como as folhas percebem o redemoinho – sob a forma de sofrimento e doença. Em contra partida, percebemos seu fluxo harmonioso como uma sensação de estar bem no mundo.” Bert Hellinger

Existem três ordens: pertencimento, equilíbrio e hierarquia.

Pertencimento – esta ordem do amor diz que todos os membros do grupo familiar permanecem nele, mesmo além da morte. O grupo familiar inclui os vivos, mortos, a segunda, terceira até quinta geração. Se um membro se perde no grupo familiar porque recusaram o pertencimento ou o esqueceram, existe uma força irresistível para restaurar sua integridade. Faz com que o membro perdido seja revivido e representado por outro mais jovem através de uma identificação. É um processo inconsciente e recai sobre crianças que surgiram depois. Membros inocentes são induzidos a responder por membros culpados como uma pressão irresistível para restaurar a integridade perdida e compensar a injustiça cometida. A compensação positiva acontece quando os mais novos aceitam e honram os mais velhos, apesar do que tenham feito de bom ou de mau no passado, desta forma os excluídos recuperam o direito de pertencer e em vez de nos atemorizar nos abençoam. Todos se sentem inteiros e plenos.

Equilíbrio – tudo na vida tem equilíbrio entre o dar e o receber, tanto para coisas boas como para más. Numa relação de casal, por exemplo, se o marido deu algo bom e a mulher retribui com outro bom, sem ultrapassar a compensação, passa a ter equilíbrio para iniciar outra rodada de trocas. Se um se limitar a receber, o outro, apenas dar, pode perder a vontade de dar, como o outro também de só receber. A medida de quem dá deve ajustar-se à medida de quem recebe e vice-versa. Quando um parceiro fere, magoa, trai o outro, a vítima precisa fazer ao outro algo que traga dor semelhante ou exigir algo difícil dele. Mas, se a vítima for boa e não conseguir ser má, não existe compensação e a relação fica ameaçada. No entanto, se a vítima faz uma afronta do mesmo tamanho ou um pouco menor, a ordem do amor pode ser restabelecida e a relação retomada e continuada. Mas, se insistirem na troca no mal, o caminho será desgraça. O sucesso de uma relação ocorre se conseguirem transformar uma troca no mal para uma troca no bem, incrementado de muito amor.

Hierarquia-existe uma ordem familiar que deve ser respeitada. Quem vem primeiro é o maior. Estes lugares precisam ser respeitados sem julgamento ou valorização, apenas devem ser percebidos como são. Os pais ficam á frente dos seus filhos, o pai em primeiro lugar e a mãe em segundo, no sentido horário a ele. O fluxo do dar e receber não podem ser invertidos ou mudados de direção. Os filhos sempre se subordinam aos pais. Os pais dão a vida aos filhos, faz parte da ordem do amor que o filho tome a sua vida tal como os pais a dão e que tome seus pais, como eles são, sem outro desejo ou recusa ou medo. É um ato de humildade este assentimento à vida e ao destino, a tudo que haja de leve e de pesado desta família. Um exercício que confirme a aceitação desta lei da hierarquia é o de nos ajoelharmos diante de nosso pai e de nossa mãe, estendendo as mãos com as palmas voltadas para cima e dizermos: “Eu lhes presto homenagem pelo presente da vida. Eu tomo você como meu pai, sou o filho certo para você. Você é grande e eu sou pequeno, eu tomo você como meu pai.” Quem realiza este ato internamente fica em paz consigo mesmo e sente-se certo e pleno, mas se ocorre a recusa por receio de infiltrar algo de mau que receiam, por exemplo, alguma deficiência ou culpa do pai ou da mãe, esta pessoa se fecha a receber o lado bom dos pais e não aceitam a vida na sua totalidade. Quem rejeita seus pais rejeita a si mesmo, sente-se vazio e irrealizado. Quando o filho infringe a hierarquia , ele se pune com o fracasso e o declínio, sem tomar consciência da culpa e da conexão. O filho presunçoso julga que está certo mas como fere a ordem do amor paga o preço com sua infelicidade.

Aluna: Rosa Maria Silvestre

Ribeirão Preto, maio de 2015. IV TURMA DO CURSO DE FORMAÇÃO PARA CONSTELADORES SISTÊMICOS.

CURSO DE FORMAÇÃO DE CONSTELADORES

Curso Vivencial – Treinamento em Constelações Sistêmicas

Vamos para a parte 2 do III Módulo. Ainda podemos receber novos alunos nesta Turma.

A próxima Turma terá início em agosto do próximo ano, 2016.

 

Objetivos do Curso:

  • Instrumentalizar o aluno do Curso de Formação emConstelação Sistêmica em seu desenvolvimento e formação pessoal;
  • Instrumentalizar o profissional na aplicação da técnica de Constelações Sistêmicas, segundo Bert Hellinger;

 

Horários

Sábados e domingos, quatorze horas por final de semana, em 14 encontros que acontecerão no decorrer de 18 meses, perfazendo 196 horas-aula.

 

Investimento

R$ 370,00 mensais

 

Sendo o módulo no sítio: R$ 370,00 mensais + R$ 150,00 de hospedagem e alimentação.

Todos os módulos realizados no sítio incluem café da manhã, refeições e coffeebreaks.

Por enquanto, os módulos estão sendo realizados na Clínica, em Ribeirão Preto e no sítio, apenas em outubro deste ano. Provavelmente em dezembro a aula também será no sítio e no ano que vem uma ou duas vezes.

 

CRONOGRAMA 

MÊS IV TURMA 2015/2016 CURSO TEÓRICO VIVENCIAL TREINAMENTO EM CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS  
1-JANEIRO  I – Introdução Constelação Sistêmica –Sáb.,  Dom. 24, 25  –
2-FEVEREIRO Turma III –Prática em grupo – 07,08

Turma VI – NÃO haverá aula

 –
3-MARÇO II -Tipos Básicos  Envolvimentos Sistêmicos 14, 15  –
4-ABRIL NÃO HAVERÁ AULA  –
5-MAIO III – Relacionamento de Casal

15, 16 

 
6-JUNHO III – Relacionamento de Casal

27, 28

7-JULHO NÃO HAVERÁ AULA
8-AGOSTO IV – Atitude Terapêutica

22, 23

 
9-SETEMBRO V – Constelação Sistêmica Organizacional – 19, 20  
10-OUTUBRO V – Constelação Sistêmica Organizacional

03, 04

 
11-NOVEMBR VI – Pedagogia Sistêmica – 07, 08  
12-DEZEMBRO VII – Constelação com Crianças – 05, 06  
13-JANEIRO NÃO HAVERÁ AULA  
14-FEVEREIRO VIII – Evolução Trabalho de Hellinger – 20, 21  
15-MARÇO VIII – Evolução Trabalho de Hellinger – 19, 20
16-ABRIL IX – Atendimento Individual – 16, 17  
17-MAIO IX – Atendimento Individual – 14, 15  
18-JUNHO X – Trabalhos Práticos – 18, 19  

 

 

TRABALHOS SISTÊMICOS (COM AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES): PROSPERIDADE DA SAÚDE, NO SÍTIO DAS ACÁCIAS

VIAGEM PARA O SÍTIO DAS ACÁCIAS, EM SANTA CRUZ DA ESPERANÇA – SP

TRABALHOS SISTÊMICOS (COM AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES): PROSPERIDADE DA SAÚDE

Programação:
Movimentos Sistêmicos (das constelações familiares)
Meditação
Trabalhos corporais
Passeio à Cachoeira, em Cajuru

Tema: Prosperidade da SAÚDE

Incluídos: Hospedagem, café da tarde de sábado, jantar de sábado, café da manhã de domingo e almoço de domingo.

Horário: Sábado 9 horas da manhã, com retorno no domingo, às 16 horas.
hospedagem no Sítio das Acácias.

Data: JULHO, Sábado dia 04 e domingo dia 05, de 2015.
Vamos “montar os carros”.
Investimento: 350 reais por pessoa.
Há possibilidade de acampar.

Informe-se.

Garanta sua vaga.
Tel: 16-30215490 – 32353338 / 32353339
anaabbraga@gmail.com7 1 2 3 8 6 10 11

FENOMENOLOGIA E CONSTELAÇÃO

Trabalho do Curso Constelação Familiar– Módulo 1

Aluna: Rosa Maria Silvestre

Fenomenologia e Constelação

Fenomenologia no sentido lato é uma escola filosófica fundada por Edmund Husserl. Investiga a consciência “purificada” ou “transcendental”. Permite chegar à essência do fenômeno. É “uma investigação que busca a essência inerente da aparência”. Revela a realidade da aparência, como aparece à consciência passa a ser uma área legítima da investigação filosófica. É um modo de compreender o mundo, entender a verdade como provisória, mutável e relativa.

Segundo Bert Hellinger, a fenomenologia provém do recolhimento, semelhante ao modelo budista, retirar as impressões sensoriais para uma purificação do espírito. Purificação do espírito requer renúncia à curiosidade, à ambição, expor sem a influência dos sentidos e do espírito, sem medo; reconhecer o que é, aceitar sem julgamento ou diferenciação entre o melhor ou o pior, numa atitude de assentimento ao mundo. No recolhimento aparece o vazio e a plenitude. A realidade fala por si mesma.

A fenomenologia, ou melhor dizendo, o movimento fenomenológico exige um esvaziar-se, atingir o vazio, sem ideias pré-existentes, sem interferência de sentimento, vontade  e muito menos julgamento. Exige a renúncia de intenção, total ausência de atenção, coragem e o destemor ao se sintonizar e defrontar com a realidade do cliente. Neste movimento, o cliente entra em contato com o não saber, com a consciência oculta, com um saber que antes lhe estava vedado. Vínculos invisíveis se tornam visíveis.

Constelação sistêmica familiar e organizacional é uma abordagem terapêutica fenomenológica criada por Bert Hellinger que busca solucionar conflitos familiares, sociais e organizacionais para liberar o fluxo do amor dentro do sistema.

O método de trabalho da Constelação Sistêmica não nasceu com Bert Hellinger, ele bebeu de diferentes fontes desde a psicanálise, dinâmica de grupo, psicodrama, Gestalt, terapia primal,  análise transacional, terapia familiar sistêmica, hipnoterapia erickssoriana e programação neuro linguística.

Concluindo, a abordagem fenomenológica requer a postura do “não saber”, ignorância e não julgamento, aceitação da realidade tal como se manifesta. Trabalha-se com um saber transpessoal, que vem do Oculto e a Ele retorna. É um não saber que permite um outro saber que o transcende.

Ribeirão Preto, 02 maio de 2015

ESCOLA DE PAIS. ESCOLA X FAMÍLIA: ESTA É UMA RELAÇÃO POSSÍVEL?

ISISESCOLA DE PAIS. ESCOLA X FAMÍLIA: ESTA É UMA RELAÇÃO POSSÍVEL?

Palestra proferida por Ana Lucia Braga no I Congresso Brasileiro de Educação e Pedagogia Sistêmica, organizado pela Conexão Sistêmica, em São Paulo – SP, em novembro de 2014.

O tema de minha palestra é uma questão: Escola x Família: Esta é uma relação possível?

Inicio, pois, respondendo afirmativamente à pergunta. Ou seja, é possível que haja uma relação entre escola e família, e uma boa relação. Tanto em escolas particulares como em públicas. Porém, devo dizer também, que isso não é fácil em nossa realidade educacional, especialmente porque essa questão jamais foi colocada como prioridade.

Temos uma cultura de participação de pais em festas comemorativas do calendário escolar, durante o ano letivo; nas Associações de Pais e Mestres para arrecadação de fundos para a escola (e isso ainda existe) e, claro, em reuniões onde os professores fazem as habituais “queixas” dos filhos, passam as notas e informações gerais sobre a dinâmica do bimestre ou do semestre.

Esta tem sido nossa cultura de relacionamento escola x família, de um modo geral.

No entanto, tudo começa com a família. Ela tem um papel crucial na educação e poderia ser uma alavanca de desenvolvimento dos alunos.

 A Educação Sistêmica parte do princípio de redes, redes de conexão. A escola é a base do sistema que contém muitos subsistemas. Todos envolvidos, implicados entre si: escola, diretores, secretarias, professores, merendeiras,  família, alunos, profissionais que atuam com alunos (no caso de alunos portadores de necessidades especiais e de dificuldades de aprendizagem). Todos estão em uma relação consciente ou inconsciente, de corresponsabilidade. Isso envolve recursos, ensino, aprendizagem, relações e tudo o mais que ocorre dentro da escola.

É claro, a escola precisa desenvolver um novo olhar, um olhar sistêmico. Em alguns casos, é o repensar sobre as visões de mundo, de homem, de sociedade, de escola, de cultura, de professor, de aluno, de aprendizagem, de ensino, de família.

Historicamente sabemos que é possível a relação escola x família. Lembro da experiência de Reggio Emilia, na Itália do pós II Guerra, como mães se organizaram para criar a escola que queriam para seus filhos. E lá já se falava em inteligências múltiplas, com as cem linguagens, tema tão atual em nossos dias. A educação lá parte do pressuposto de que os adultos têm grande tarefa na escola, de escuta, do reconhecimento de potencialidades múltiplas do aluno enquanto ser individual e muitas práticas que são modelos de boas práticas pedagógicas, sob o meu ponto de vista.

Em Reggio Emilia os pais são convidados a participar de todos os processos da escola, participam das tomadas de decisão. Não são chamados para ouvir reclamações, mas para ajudar a resolver os problemas.

Com o envolvimento das famílias, existe a possibilidade de melhora da qualidade do serviço educacional prestado, do atendimento, inclusive, às necessidades sociais, tanto das famílias, quanto da própria comunidade. Há o encontro do diferente, o que não é fácil de administrar. Mas é a partir dele que se cresce, se desenvolve. É a partir do intercâmbio de ideias, de projetos, de expectativas, que pode surgir novos modos de fazer, novos modos de educar.

Para tanto a família deve ser vista como parceira, não como ameaça.

Vivenciei outras experiências em minha vida com essa relação íntima acontecendo, no início de minha vida como profissional da educação no Rio de Janeiro, em escola de Educação Infantil, em escola experimental de favela (hoje chamada comunidade), com a metodologia de Paulo Freire.

E também em Ribeirão Preto, tive a oportunidade de, na época em que estive no Hospital das Clínicas, no curso de Psicopedagogia, conhecer a dinâmica da Creche da Carochinha, creche da USP, com o trabalho que desenvolvia naquela época (1988) e da creche dos trabalhadores da área de Saúde do Estado, com a participação intensiva dos pais na escola.

De acordo com os quatro pilares da educação propostos pela UNESCO, é possível desenvolver um grande trabalho com as famílias. Os pilares são:  aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

Atualmente, em nossas Leis Educacionais, inclusive no site do MEC, temos um grande incentivo com relação ao trabalho com famílias.

Mas, como dizia Anísio Teixeira nos idos de 1940, o que ainda vale em 2014, vivemos, no Brasil um conflito entre Valores Proclamados x Valores Reais. Temos leis maravilhosas, mas práticas nada parecidas com maravilhosas. Como sugestões governamentais, temos a Escola da Família, mais antiga, o Blog da Mobilização, como um convite à comunidade para se organizar para participar da vida escolar dos filhos. Temos uma Cartilha bem interessante, com conteúdo sobre como acompanhar a vida escolar dos filhos. São dicas e orientações bastante interessantes.

A cartilha fala de como participar da vida escolar dos filhos, dá dicas de “como os pais podem ajudar os filhos em casa, de como saber se a escola esta ensinando, sobre o que uma escola deve oferecer, sobre o que se deve cobrar de uma escola pública”, por exemplo.

Temos, portanto, em nossas Leis, a autorização máxima para desenvolver, em cada escola brasileira essa relação.

Tudo começa na família.

E essa parceria possibilitaria, ainda mais, o desenvolvimento de diferentes recursos sistêmicos para intervir nos problemas educacionais, sociais, educacionais e de comunicação que ocorrem entre educadores, professores, gestores, pais, assistentes sociais, outros elementos que atuam na escola ou na instituição educacional.

As lealdades sistêmicas, por exemplo, muitas vezes, são “as responsáveis” pelas dificuldades de aprendizagem de um aluno. Se o professor considera essa conexão com a ancestralidade, por amor, ele pode passar a usa-la a favor de seu trabalho e do aluno: do ensino e da aprendizagem. Devemos lembrar que Os distúrbios de aprendizagem devem ser vistos como um sintoma, uma manifestação de comportamento muitas vezes oculto que ao serem analisados, podem ser encarados como sinalização (Alícia Fernandez, 1990).

Os pais e os avós tem um grande potencial para ensinar. Eles são a história viva da comunidade, até mesmo do país. Cada pai e mãe têm uma profissão. Cada um dos pais tem um tipo de inteligência mais desenvolvido. Portanto, o objetivo principal de ter uma relação presente com a família, é o desenvolvimento da própria escola, é melhorar a qualidade da educação praticada em nossas escolas.

Incluir os pais e os avós no dia a dia da escola pode significar o auxílio dos ancestrais, o  DNA da família sendo acessado conscientemente, o resgate da história familiar conectado com as atividades da escola.

Como dizia George Saintayna, em 1905, “aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”. Isso é tão importante que foi repetido por Che Guevara há mais de 50 anos, “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. E tantos outros repetiram. Atualmente, na Pedagogia Sistêmica, continuamos utilizando essa máxima.Maita Cordero Ayuso, em seu livro Manual Prático de Pedagogia Sistêmica (CUDEC-México),  de 2012, diz literalmente: Quem não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.

O que fazer na escola para chamar os pais?

Primeiramente, ter respeito por eles e por suas realidades.

Existem muitos tipos de família e diferentes tipos de agregados familiares. Temos, por exemplo, a família tradicional, pais solteiros, a homoafetiva, a família  reconstruída.

Seguem algumas definições de tipos de família:

›MATRIMONIAL – é aquela onde há um casamento de papel passado, legal. UNIÃO ESTÁVEL – casais que vivem juntos, sem assinar o papel, provavelmente não pretendem “se casar”.

›CONCUBINÁRIA – casais que, provavelmente, pretendem “se casar”. MONOPARENTAL – pai ou mãe criam o filho sozinho.

›INTERSEXUAL – composta por transexuais. 

›HOMOAFETIVA – composta por casais do mesmo sexo.

›UNILINEAR – mulheres que tiveram filhos por inseminação artificial, sem saber, muitas vezes, quem é o pai.

›MOSAICO ou MISTA – composta por casais separados, que vivem juntos com filhos de relacionamentos anteriores.

(Excerto de texto de Ana Lucia Braga, publicado na Revista UNISAUDE, de Ribeirão Preto – SP, em dezembro de 2011).

Repito, o respeito à família e à realidade do aluno é o princípio básico do trabalho com pais.

A mudança de olhar do professor e da escola como uma necessidade: os pais fazem parte da sala de aula primeiramente por não ser possível dissociar filhos de pais. Eles estão presentes na lealdade, na vida da criança como um todo, em todas as suas células.

A Entrevista Sistêmica no início do ano letivo e o uso da mesma em reuniões mensais é uma ferramenta que proponho. É uma forma de se ter informações sobre o aluno, identificando-o inicialmente, como membro de uma família, identificando seus pais, levantando um histórico sobre sua gestação, nascimento, desenvolvimento psicomotor, emocional, cognitivo,  sono, alimentação, doenças, comportamento atual e sociabilidade; sexualidade, religião, ambiente familiar, relacionamento do pai com a criança, relacionamento da mãe com a criança, sobre os irmãos e o relacionamento entre irmãos. Escolaridade e a vida escolar, materiais que tem em casa / adaptação à escola. No caso de crianças já alfabetizadas, como foi a alfabetização, repetências, evasão. Quais as expectativas da família em relação à escola.

Ainda nessa entrevista, informações sobre o sistema familiar, levando em conta situações que criam emaranhamentos sistêmicos, ou seja, levando em conta as três grandes leis sistêmicas, da pertinência, da hierarquia e do equilíbrio. Deve-se levar em conta: pessoas que morreram cedo, abortos, suicídios, assassinatos, calúnias, adoções, doenças, deficiências, entre outros aspectos.

O trabalho com família pode ser desenvolvido a partir de vários momentos, devidamente incluídos no planejamento da escola, com “tempos” reservados para o professor desempenhar esses contatos.  A entrevista sistêmica, por exemplo, deve ser realizada no início do ano letivo. E, durante o ano, outros tipos de contatos podem ser estabelecidos: Entrevista com os pais para discutir sobre a criança, individualmente, partindo de demanda do professor e investigando possíveis demandas dos pais; Reuniões individuais de professores com pais para vários assuntos relativos ao grupo de alunos: sugestões; Reuniões em pequenos grupos de pais com objetivos diversos; Oficinas, ministradas pelo próprio professor, ou outro membro da equipe da escola, envolvendo um tema de interesse dos pais. Esse pode ser um grupo aberto ou também o professor, a partir de investigação anterior, pode convidar os pais de sua sala após perceber determinados temas em comum; Reuniões com Especialistas para discutir temas diversos de interesse dos pais; Reuniões de “auxílio à escola”, onde os pais podem discutir e decidir o que a escola precisa em relação ao espaço físico, materiais, etc.; Reuniões para discutir as festividades do calendário escolar, o que é já habitual.

Como afirma Mariane Franke, a relação da professora, com sua família de origem é muito importante nesse processo. Apenas se ela é positiva, é possível dizer ao aluno e aos pais:

“Eu respeito o destino que atua em sua família. Não quero provar nenhuma falha em sua família e dar à sua criança alternativas melhores que sua própria família, mas mostrar um caminho onde ela pode abrir as portas para entrar no mundo, sem ser desleal a vocês.”

A seguir, relato o trabalho com um grupo de pais, que tenho realizado, desde setembro deste ano.

O grupo não tem nenhuma ligação com a escola. Contudo, é um grupo de pais que poderia acontecer dentro de uma escola, coordenado por um professor ou um pedagogo sistêmico, sem o propósito de ser um grupo terapêutico de constelações, mas um grupo psico-pedagógico, onde os pais poderiam abordar suas dificuldades com seus filhos, especialmente.

Este grupo específico, sobre o qual falarei, ocorre em Sertãozinho, cidade bem próxima a Ribeirão Preto. Nós o chamamos, carinhosamente, de “Escola de Pais”. O grupo funciona semanalmente, às quintas feiras, das 20 às 21 horas. São 8 pais (três casais e duas mães, ambas casadas e com filhos).

Enquanto terapeuta do grupo, parto do princípio de que somos parte de uma rede. Rede familiar que envolve  gerações, a anterior e a seguinte: pais e filhos, por exemplo. Que, por sua vez, também estão inseridas em uma rede social que envolve diversas gerações que têm suas peculiaridades, particularidades, diversidades e que influenciam os contextos educativo e social. Parto do princípio freireano de que somos, todos, educadores-educandos.

Os pais são os grandes, o terapeuta é apenas um facilitador, um mediador, um problematizador. Os pais, como os certos para seus filhos, sabem o que fazer. Têm suas próprias famílias. E, por sua lealdade e fidelidade sistêmicas, repetem destinos, seguem culturas e mapas de família, inconscientemente. “Escola” é um nome que engloba bem o que fazemos lá: aprendemos e ensinamos. Eles também questionam, problematizam, ensinam uns aos outros.

O grupo funciona com uma rodada inicial, onde os pais falam sobre o que desejam. Algumas vezes sobre como foi a semana, sobre a tarefa proposta na semana anterior; é um momento de fala livre. Por vezes, a terapeuta faz intervenções com movimentos sistêmicos, utilizando os princípios do método das constelações familiares de Bert Hellinger. Não fazemos nenhuma grande constelação, mas trabalhamos com a leitura sistêmica daquilo que é dito, com a proposta de “mente expandida”, ou a percepção consciente em relação ao dito pelo outro, a entrada consciente “no campo” do outro.

O grupo tem a proposta de duração de três meses.

Relatarei, em seguida, algumas das tarefas realizadas pelo grupo:

Observar e pensar em que situações seus filhos tiram você do sério, lhe tiram de seu centro. Em que situações eles lhe estressam e lhe levam ao seu limite.

Na semana seguinte, os pais devolvem a tarefa, conversamos e, se necessário, leituras e movimentos sistêmicos são realizados. Sempre apontando sua relação com seus pensamentos, seus sentimentos, suas próprias ações e sua relação com sua infância e sua família de origem.

Esta tarefa veio em função da dificuldade de um pai em respeitar seu próprio pai. Com um movimento sistêmico, o pai foi colocado diante de seu próprio pai. Ele criticava, julgava e condenava o pai. E não conseguiu dar nenhum passo em relação ao respeito por seu pai. A tarefa para todo o grupo foi imaginar os pais e, diante deles, apenas dizer: “Eu desisto. Eu me retiro disso. Eu não consegui mudar vocês e eu desisto”.

 Outra tarefa interessante foi: Observar e refletir: em que meus filhos são semelhantes a mim?

E, durante a sessão, conversamos sobre as lealdades sistêmicas, as Leis Sistêmicas e os preços que pagamos pelo amor cego em relação a nossa família de origem.

 Outra tarefa: A pizza enquanto a roda da vida. Cada pai fez sua própria pizza, respondendo qual o grau de satisfação, qual a sua nota para cada área da vida. Posteriormente, teria que estabelecer metas para cada área, no intuito de chegar ao máximo de satisfação. Depois, deveria fazer a pizza pensando em cada um de seus filhos. E, depois, ainda, dar ao filho para que cada um preenchesse sua própria pizza.

Foi uma discussão interessante, pois percebemos o grau de satisfação / insatisfação em relação ao casamento, à vida social, à família de origem, a si próprio, ao trabalho, à vida financeira, à espiritualidade; ao lazer, à saúde, ao desenvolvimento pessoal. Percebemos as projeções dos pais em relação aos filhos, às diferenças de percepção entre ambos (pais e filhos). E a possibilidade de aprofundamento na relação familiar.

 O trabalho com fotografias: Fotos dos pais, separadas por setênios dos filhos. Fotos dos filhos com os pais ou sem eles.

Também observamos as semelhanças e diferenças, as lealdades, os sofrimentos e a presença/ausência dos pais na vida dos filhos, entre outros aspectos trazidos pelo grupo.

 Em função das dificuldades que temos, enquanto escola, de trazer os pais, penso que a pergunta central de muitos professores tem sido:

Como “atrair” os pais para a escola?

Minha resposta:

É começando e insistindo que se constroem hábitos diferentes e outras realidades, portanto, comecemos.